Bagdá - A operação de desarmamento dos combatentes xiitas do bairro pobre de Sadr City, em Bagdá, teve início ontem, enquanto que no resto do país a violência prosseguia, com a morte de pelo menos seis pessoas, entre elas dois militares americanos.
Dois iraquianos morreram e outros 18 ficaram feridos em um atentado com carro-bomba na passagem de um comboio militar americano em Mossul, norte do Iraque. Segundo um policial iraquiano, tratou-se de um atentado suicida. ''Vi uma caminhonete conduzida por um camicase explodir na passagem de um comboio americano'', declarou o tenente Kharalah Mohammed Said.
No sul de Bagdá, dois soldados americanos morreram e outros cinco ficaram feridos num ataque com foguete. Outros dois iraquianos morreram em tiroteios entre homens armados e marines americanos em Ramadi, cidade sunita rebelde situada a oeste de Bagdá.
Segundo testemunhos, os marines tomaram posições em alguns bairros e cercaram zonas da capital da província rebelde de Al-Anbar. Estas operações não foram confirmadas de imediato pelo exército americano.
Em Bagdá, várias armas automáticas, 12 obuses, 38 lançadores e um fuzil com mira telescópica foram entregues à delegacia de Habibia, no início do processo de desarmamento das milícias xiitas de Sadr City. Para alguns policiais, no entanto, não houve ainda uma entrega em massa de armas porque os rebeldes não confiam no governo iraquiano e no exército americano.
Segundo o acordo alcançado no final de semana entre o governo e o movimento de al-Sadr, os milicianos devem entregar, durante os próximos cinco dias, suas armas pesadas e médias em troca da libertação de seus prisioneiros e que sejam suspendidas as ações judiciais contra eles, exceto os que são acusados de crimes graves.
Também devem receber dinheiro em troca das armas. Um oficial da polícia de Habibia disse que estavam sendo dados recebidos em troca das armas porque não havia dinheiro em espécie, mas um porta-voz militar americano afirmou ter entregue dinheiro à delegacia de Al Jazair.
O comandante americano do batalhão em Sadr City, tenente-coronel Gary Volesky, advertiu, no entanto, que seus homens poderão continuar efetuando bombardeios e prisões. ''Não há acordo de cessar-fogo. Nossa liberdade de movimento não foi limitada. Se recebermos informações que requeiram um ataque aéreo ou uma revista, vamos fazê-lo'', declarou.
Por último, o exército anunciou que 154 prisioneiros iraquianos serão colocados em liberdade em Abu Ghraib, perto de Bagdá, e em Camp Bucca, sul do Iraque. Segundo o tenente-coronel Barry Johnson, estas libertações não estão relacionadas com o acordo alcançado com o movimento de Moqtada al-Sadr.
Por fim, homens armados que dizem pertencer ao grupo do jordaniano Abu Mussab Al-Zarqawi anunciaram ter sequestrado um turco e ameaçam matá-lo se as forças americanas não libertarem os prisioneiros iraquianos, em um vídeo exibido pelo canal árabe Al-Arabiya.

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