A tensão cresceu nas ilhas Fiji, onde partidários do golpe de Estado começaram, na noite de anteontem, a saquear as lojas e a jogar pedras contra automóveis nas ruas de Suva, depois de ter sabotado a estação elétrica, deixando a capital na mais completa escuridão.
No entanto, segundo várias testemunhas, a falta de luz não impediu que centenas de habitantes se reunissem frente ao quartel general das forças armadas, num clima de aparente calma.
Os incidentes acontecem num momento em que o exército não conseguiu instalar uma zona de exclusão na periferia do parlamento, onde os golpistas mantêm em seu poder 27 reféns, entre os quais o destituído primeiro-ministro Mahendra Chaudhry.
O ex-chefe do exército, comandante Ratu Epeli Ganilau, estaria dentro do prédio do parlamento tentando negociar com os rebeldes uma retomada das discussões.
Anteontem, as autoridades militares decidiram proibir o acesso ao parlamento, decretando, a partir da meia-noite, uma zona de exclusão para isolar os rebeldes e para preparar uma intervenção.
No entanto, ontem nada indicava que o exército teria tomado alguma medida para fazer respeitar esta decisão. Os carros e pessoas iam e vinham através dos pontos de controle do exército e, inclusive, alguns entravam no parlamento sem maiores problemas.
Os postos de controle de caminhões não receberam reforços militares significativos, mas os soldados presentes nas imediações do parlamento usavam máscaras contra gás.
Desde o dia 19 de maio, os rebeldes mantêm como reféns o primeiro-ministro Mahendra Chaudhry, primeiro chefe de governo de origem indiana neste arquipélago, cuja história, desde a independência em 1970, está marcada pela rivalidade entre melanésios, fijianos de casta e indo-fijianos que contituem 43% dos 800 mil habitantes.
George Speight, apoiado por uma unidade de forças especiais do exército, declarou atuar ‘‘em nome da população indígena’’, e reclama a instalação de uma nova Constituição, reservando o poder político somente aos melanésios.

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