O MRTA não descarta a possibilidade de se incorporar à vida política nacional a médio prazo, informaram ontem dois dos últimos reféns libertados da casa do embaixador do Japão no Peru, que ouviram comentários a respeíto do atual chefe em liberdade do grupo, Néstor Cerpa Cartolini.
A organização de raízes guevaristas ‘‘está disposta a deixar as armas’’ porque ‘‘aceita a democracia, a privatização de empresas públicas e a economia de mercado’’, disse Javier Sota Nadal, reitor universitário que esteve numa mesa redonda realizada com Cerpa na residência.
Em sua perspectiva de reinstalação como organização política, o Movimento Revolucionário Tupac Amaru ‘‘propõe que as vendas de empresas reservem para o Estado algumas essenciais para evitar os monopólios, e exige um programa a favor do campesinato, ao qual dizem representar’’.
Na informal e imprevista mesa redonda com alguns dos reféns durante sua retenção, Cerpa Cartolini disse que o MRTA não aceita que a modernização econômica do país implique em redução de empregos.
‘‘Mas isto é transitório porque o empresariado nacional pretende aumentar o emprego através da produção’’, respondeu-lhe o industrial Octavio Mavila, presente nessa mesa redonda.
Também o ex-ministro da Indústria, Manuel Romero Caro, disse ao canal América Televisión que o objetivo imediato do MRTA é seu ingresso orgânico na vida política peruana. Os intelectuais estimularam Cerpa Cartolini a não abandonar essa opção à luz de casos idênticos no mundo.
‘‘Eles desejam a curto prazo a libertação de todos os seus companheiros presos no país, e a médio prazo aspiram a se legalizar’’, acrescentou.
Romero Caro confirmou que Cerpa Cartolini, ‘‘Camarada Evaristo’’ no organograma do MRTA, encabeça o grupo que tomou de assalto a residência na terça-feira passada. Ele continua na casa.
Libertação Trezentas e cinquenta e duas pessoas já foram libertadas pelo comando guevarista que ocupa, desde a última terça-feira, a residência do embaixador do Japão em Lima e que continua retendo cerca de 340 reféns, segundo estimativas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR).

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