France PresseAcordoOs responsáveis pelas negociações de paz, que se realizam em Pretória, anunciam um acordo de cessar-fogoO chefe da rebelião zairense, Laurent Desiré Kabila, anunciou ontem em Mbuji-Mayi (região central do Zaire) que seu próximo alto é a capital pois, segundo ele, ‘‘todo o mal que se faz a este país é decidido em Kinshasa’’.
O rebelde zairense já tinha afirmado em várias ocasiões que tomaria Kinshasa ‘‘antes de junho’’.
Diante de milhares de pessoas reunidas em Mbuji-Mayi, cidade conquistada pelos rebeldes na sexta-feira passada, Kabila instou a Etienne Tshisekedi, chefe da oposição radical tornado primeiro-ministro, a ‘‘deixar o bando de Mobutu’’ (Sese Seko, presidente zairense).
Enquanto seus homens estavam nas portas de Lubambashi, capital da rica região mineira de Shaba (ao sul), o chefe rebelde alfinetou a multidão, dizendo: ‘‘Avancemos, vamos para Kinshasa. Este é o objetivo: a capital política’’.
‘‘Estamos certos de que iremos para lá convosco. Nossas posições mais avançadas estão nas províncias de Bandundu e Equateur’’, ao leste de Kinshasa, garantiu ele durante a reunião multitudinária no estádio da cidade.
‘‘Todo o malfeito a este país - as matanças, os saques - se decide em Kinshasa. Iremos ver estes senhores (os representantes) onde eles se encontram’’, acrescentou.
O chefe rebelde se dirigiu então para Tshisekedi, muito popular nesta região, pedindo a ele que deixasse o bando de Mobutu e parasse de jogar o ‘‘jogo de seu inimigo’’.
‘‘Se um dirigente se equivoca, a missão do militante é dizer a ele que está errado e não segui-lo estupidamente’’, insistiu.
Emergência O presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko, declarou ontem estado de emergência em todo o país. Um terço do território está em mãos dos rebeldes banyamulenges, que lançaram uma ofensiva contra o exército zairense em outubro.
Desde o ano passado, as províncias de Kivu do Sul e Kivu do Norte, no leste do país estavam sob estado de emergência. Mobutu anunciou ontem que o estado de emergência ‘‘foi estendido a todo o país’’. Cinco governadores militares foram nomeados para administrar regiões não tomadas pelos rebeldes.
Enquanto isto, na África do Sul, os representantes que negociam um cessar-fogo no país anunciaram um acordo que, porém, não foi confirmado nem na Capital nem junto à liderança rebelde.

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