São Paulo - O Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio estima realizar dentro de 20 meses uma eleição nacional para a escolha de um presidente, informou ontem o representante do órgão político rebelde no Reino Unido, Guma Al Gamaty. ''Estabelecemos um plano preciso com um período de transição de 20 meses'', declarou Al Gamaty.
Segundo ele, o CNT irá dirigir a Líbia durante os próximos oito meses, até que uma Assembleia Constituinte seja eleita pelo povo para redigir uma nova Constituição. ''Este conselho irá elaborar o rascunho de uma Constituição democrática que deverá ser debatida e depois referendada.''
Após isso, com a nova Constituição aprovada pelo povo, os rebeldes planejam a realização em cerca de um ano de eleições parlamentares e para presidente. ''Dessa forma, ao final de 20 meses, os líbios terão eleito os líderes que eles querem para comandar o país.''
As declarações de Al Gamaty chegam um dia após o CNT receber amplo respaldo da comunidade internacional durante uma conferência em Paris. Além dos membros da Otan e seus aliados, a reunião em Paris contou com a participação de 63 países, entre eles o Brasil.
Durante o encontro, o anfitrião e presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou um ''pedido unânime para desbloquear os bens líbios'' de US$ 15 bilhões e disse que as operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ''continuarão enquanto [o ditador Muamar] Kadafi representar uma ameaça''.
Segundo Sarkozy, a intervenção da Otan e seus aliados ''salvou milhares de vidas'' e todos os países europeus presentes na reunião estão dispostos a reabrir suas embaixadas em Trípoli após a transição de poder no país.

Kadafi

Um jornal de Trípoli publicou uma foto em que o ditador líbio, Muamar Kadafi, aparece careca, com a mensagem ''Procurado vivo ou morto'' logo abaixo. Em entrevista à rede Al Jazeera, o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, admitiu que os rebeldes não têm nem ideia do paradeiro de Kadafi. ''Se soubéssemos onde Kadafi está agora, nossos revolucionários estariam a caminho para capturá-lo. Não temos informação de que Muamar Kadafi esteja na Líbia ou em qualquer outro lugar.''

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