São Paulo - Um grupo de ao menos 70 facções rebeldes afirmou ontem que não reconhece a autoridade da Coalizão Nacional Síria como representante da oposição no país.
O anúncio foi feito por meio de um vídeo produzido por facções do sul. No mês passado, grupos no norte do país haviam feito semelhante alerta, de modo que a fragmentação da oposição na Síria tem se intensificado.
O comunicado também preocupa o Ocidente, que tem apoiado a Coalizão Nacional Síria e demonstrado receio em relação a facções militantes, como a Jabhat al-Nusra, que está ligada à rede terrorista Al Qaeda.
"Tendo visto o fracasso de grupos políticos que dizem representar a oposição, [...] nós retiramos nosso reconhecimento", afirmou um porta-voz, no vídeo. Não é possível identificar o local das imagens. Os rebeldes presentes estão fardados.
A insurgência tem tido ganhos estratégicos no sul do país, conforme disputa a região de Deraa, uma das mais afetadas pelo conflito. Centenas de milhares fugiram dali rumo à Jordânia.
O Exército Livre da Síria, força militar da oposição, ainda mantém o reconhecimento dos insurgentes no país. Sua bandeira aparece no vídeo. Um porta-voz falou às agências de notícias que a coalizão "tem de ouvir com atenção a voz das pessoas que estão pagando [a insurgência] com seu sangue".
Os embates na Síria foram iniciados em março de 2011 e já deixaram mais de 100 mil mortos, de acordo com estimativa das Nações Unidas.
A Coalizão Nacional Síria, que tem sua base no exterior, tem sido alvo de repetidas críticas. Seus detratores afirmam que a liderança perdeu o contato com a realidade do conflito, em solo.
Rebeldes também se demonstram desapontados pelo fracasso da coalizão no objetivo de convencer potências internacionais a entregar armamentos e ajuda humanitária à insurgência.

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