Rebeldes não cumprem ameaças
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sexta-feira, 21 de março de 1997
Agência Estado 
TIRANA - Vencido ontem o ultimato dado ao presidente Sali Berisha para que renunciasse, os rebeldes albaneses não cumpriram as ameaças feitas: romper com o governo do primeiro-ministro socialista Bashkim Fino e marchar sobre Tirana. O Comitê Nacional de Salvação do Povo (formado por 15 conselhos rebeldes regionais) decidiu moderar o tom de seu discurso, em assembléia realizada na cidade de Tepelene - 160 km ao Sul da Capital.
Rechaçando as exigências dos rebeldes, Fino boicotou o encontro, que foi presidido pelo médico Xhaferr Majko, líder do conselho de Tepelene. Depois de muita discussão em praça pública, os membros do comitê acataram proposta de Majko de dar um voto de confiança ao governo de salvação nacional e apoiar integralmente as decisões do seu gabinete. Mas insistiram na saída de Berisha, embora sem a veemência e intransigência de dias anteriores. Com Berisha, não haverá eleições livres, limitou-se a dizer Majko.
O presidente é acusado de ter vencido as eleições de 1996 mediante fraude e de negligência na quebra de bancos que captavam a poupança da população, oferecendo juros de até 30% ao mês - motivo da revolta popular. Não ficou claro, na reunião, se o comitê atenderá ao apelo de Fino para que os rebeldes deponham armas - condição exigida pela União Européia para iniciar a distribuição de ajuda humanitária ao País. A Albânia tem alimentos para mais uma semana apenas.


