Rebeldes matam 110 pessoas em 4 dias
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segunda-feira, 11 de janeiro de 1999
AE-REUTERS 
Grupos paramilitares de extrema direita mataram ontem pelo menos 14 camponeses em diversas regiões da Colômbia, elevando para 110 o número de vítimas no quarto dia da retomada da violência, informaram as autoridades. Oito camponeses foram baleados em um casebre no município de Toluviejo, Departamento de Sucre, por vários homens que disseram pertencer às Forças de Autodefesa Unidas da Colômbia. Outras seis pessoas foram assassinadas em diversas localidades do Departamento de Antioquia (Noroeste do país), informou a polícia da cidade de Medellín, capital dessa província.
As Forças de Autodefesa, uma aliança de grupos paramilitares com aproximadamente 5 mil homens, havia declarado uma trégua de 18 dias por ocasião das festas de Natal e ano-novo, mas o cessar-fogo terminou na quarta-feira. O pior incidente desde a retomada dos ataques ocorreu sábado em Playon de Orozosco, um remoto vilarejo na Província de Magdalena, onde alguns supostos membros das Forças de Autodefesa mataram 20 pessoas.
O chefe de polícia da província, coronel Octavio Grajales, citando informações do reverendo Giovanni San Juan, disse que as vítimas estavam assistindo a um batizado na igreja local quando foram escolhidas a dedo pelos atiradores, arrastadas para fora e assassinadas a tiros.
Quatorze outras pessoas foram mortas nesse mesmo dia em San Pablo, uma pequena cidade de uma área rural muito pobre da Província de Bolivar. As vítimas, a maioria mulheres, foram arrancadas de suas casas logo após o amanhecer e executadas nas ruas, informou um porta-voz da polícia.
A marxista Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior e mais poderosa organização rebelde do país, aproveitou-se do cessar-fogo decretado pelos paramilitares para lançar, em 27 de dezembro, um sangrento ataque nas montanhas controladas por Carlos Casta¤o, o líder das Forças de Autodefesa. Cerca de 30 pessoas foram mortas no ataque e Casta¤o, um fervoroso anticomunista, prometeu vingar a ação dos guerrilheiros.
Membros das Farcs mataram sábado dois policiais na região rural de Montebelo, 500 quilômetros a noroeste de Bogotá, informou uma fonte policial. Os agentes foram baleados quando tentavam impedir a ação de rebeldes que assaltaram um ônibus na periferia da cidade.
Apesar de estarem comprometidas em um processo de paz com o governo do presidente Andrés Pastrana, os guerrilheiros das Farcs advertiram que não deterão seus ataques. As negociações iniciadas na quinta-feira entre o governo e a guerrilha em San Vicente del Caguán, nas quais se pretende acertar a agenda e o calendário de uma futura negociação para pôr fim ao conflito armado, começaram sem a participação do chefe das Farcs, Manuel Marulanda, conhecido como Tirofijo (Tiro Certo). Seus homens explicaram que ele não participou das conversações porque foi descoberto um plano para assassiná-lo.
Em entrevista ao jornal colombiano El Tiempo, Casta¤o, chefe dos paramilitares, negou ontem que houvesse planejado matar Tirofijo para sabotar o processo de paz, tal como o sugeriu a liderança rebelde. Também indicou que respeitará o diálogo entre o governo e as Farcs. Sou cético frente a algumas situações, mas, em geral, não vejo outra saída para o conflito, disse Casta¤o acrescentando esperar que o processo produza bons resultados.
Entre as principais exigências das Farcs está o desmantelamento dos grupos paramilitares, que consideram filhos legítimos do Estado, a reforma agrária e das instituições, e planos alternativos que substituam as medidas repressivas usadas para erradicar os cultivos da folha de coca e papoula (matérias-primas da cocaína e heroína). Para o governo, a prioridade é chegar a um acordo sobre o respeito aos direitos humanos.


