O exército de Fiji anunciou que tem o controle da capital, Suva, e impôs um toque de recolher de 48 horas, logo após o incidente ocorrido quando uma multidão de apoiadores dos rebeldes matou a tiros um policial e destruiu uma emissora de televisão. Os rebeldes ainda mantêm reféns diversos deputados e o primeiro-ministro do país no prédio do parlamento. O ministro das Relações Exteriores australiano, Alexander Downer, declarou que os rebeldes ameaçaram matar um de seus reféns no parlamento – a deputada Adi Koila Mara, a filha do presidente Ratu Sir Kamisee Mara, que vem percorrendo o país desde que o levante começou há 10 dias.
Segundo Downer, a atitude demonstra claramente a falta de caráter de George Speight, o líder dos rebeldes. As negociações para colocar um fim à crise governamental continuam, com centenas de apoiadores de Speight adentrando a área do parlamento onde os reféns e o primeiro-ministro Mahendra Chaudhry são mantidos prisioneiros.
Speight, membro da maioria fijiana, foi demitido no ano passado por Chaudhry de seu cargo como executivo de duas empresas locais, Fiji Pine Ltd. e Fiji Hardwood Corp. Ltd. Ele havia sido indicado para ocupar esses postos pelo governo anterior, integrado pelo seu pai. Ele alega que encontrou documentos que incriminam Chaudhry, e provam que ele pretendia entregar o país aos indianos de origem étnica.
Speight liderou o grupo que tomou de assalto o parlamento no último dia 19, quando o governo eleito completava um ano no poder, fazendo reféns o primeiro-ministro de etnia indiana Chaudhry e membros de seu ministério. O exército, a polícia e várias lideranças influentes de Fiji colocaram-se ao lado do governo de Mara.
O levante rebelde coincidiu com uma manifestação do movimento nacionalista Taukei pela cidade de Suva, que terminou em confusão e saques ao comércio, controlado pelos indianos étnicos. Speight recebeu o apoio dos chefes do conselho indígena das 14 províncias de Fiji em sua proposta de exigir e renúncia do atual governo. O conselho, entretanto, condenou o golpe e vinha tentando negociar uma solução pacífica.
Há meses os conflitos étnicos vêm acentuando-se entre os fijianos e os indianos étnicos, descendentes de migrantes hindus que atualmente dominam o comércio desta pequena nação do Pacífico com apenas 3.620 quilômetros a nordeste de Sydney, Austrália. Chaudhry é o primeiro indiano étnico a ocupar o cargo de primeiro-ministro.
A ONU e países como Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos vêm criticando o governo e as forças militares de Fiji por não terem conseguido controlar Speight e seus aliados e ameaçam impor sanções políticas e econômicas ao arquipélago de Fiji. As autoridades olímpicas anunciaram ontem que irão alterar o roteiro de passagem da tocha olímpica, programada para passar por Fiji no dia 3 de junho, rumo aos jogos de Sidney, Austrália, em setembro.

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