Os rebeldes muçulmanos filipinos que mantêm 21 reféns na ilha de Jolo (Sul) não pediram dinheiro, mas exigiram uma mediação internacional para libertá-los, segundo um manifesto do grupo Abu Sayyaf obtido pela AFP esta terça-feira.
Estes rebeldes ‘‘pedem às Nações Unidas, à Organização da Conferência Islâmica e à República das Filipinas que reconheçam o direito do povo Bangalore (etnia de Jolo e das ilhas vizinhas) à autodeterminação e a um Estado islâmico independente’’, segundo o texto.
Uma vez obtida a mediação internacional e reconhecida pelo grupo Abu Sayyaf, os rebeldes afirmam que estarão dispostos a libertar os 21 reféns, que mantêm cativos desde o dia 23 de abril passado, disse a alguns jornalistas um de seus líderes, o comandante Nayimi, chamado de ‘‘Global’’.
‘‘Global’’ e outros ‘‘comandantes’’ rebeldes afirmaram que esse sequestro não tem motivos econômicos e sim políticos. ‘‘O sequestro de personalidades importantes é somente uma de nossas estratégias bélicas. É algo menor comparado ao embargo econômico e à opressão do Estado’’, diz o manifesto.
Os rebeldes esperam que a comunidade internacional reconheça seu combate pela independência e pela instauração de um Estado islâmico. Também esperam que as Nações Unidas e a União Européia os ajudem a conseguir ‘‘o triunfo de sua causa’’, segundo o comandante Nayimi.
Os rebeldes aceitaram negociar a libertação da turista alemã Renate Wallert, de 57 anos, cujo estado de saúde é grave. Segundo uma rádio francesa, Wallert passa a maior parte do tempo deitada em um rede e em estado de semiconsciência. Os turistas estrangeiros são mantidos numa cabana separados dos reféns asiáticos.
O acerto vai depender ainda do governo aceitar as condições impostas para o encontro, segundo declarou o líder guerrilheiro Abu Escobar. O negociador do governo filipino Robert Aventajado declarou ontem que a negociação está sendo feita com cinco líderes, que representam facções dentro do Abu Sayyaf, o menor e mais radical dos grupos separatistas islâmicos.
O grupo é responsável pelo sequestro de grupo de reféns que inclui 10 turistas, capturados de um resort malaio e levados de barco para a ilha de Jolo, nas Filipinas. Essas lideranças vão reunir-se e tentar chegar a um acordo sobre a lista de reinvindicações a ser entregue ao governo. A lista é esperada para hoje.
Aventajado e o outro negociador, o libanês Abdul Rajab Azzaroug, retornariam ontem a Jolo, onde os reféns são mantidos presos. Eles pretendem voltar a Manila até o próximo domingo para conversar com o presidente das Filipinas, Joseph Estrada. O problema é que as negociações formais podem levar meses, pois os separatistas exigem dinheiro para criar um estado islâmico na região de Mindanao, onde vive a minoria muçulmana das Filipinas, de maioria católica, e o governo não está disposto a ceder.
Além do grupo da Ilha de Jolo, composto por dois sul-africanos, dois finlandeses, um libanês, três alemães, dois franceses, nove malaios e dois filipinos, o Abu Sayyaf mantém ainda oito reféns filipinos, entre os quais crianças, na vizinha ilha de Basilan, remanescentes de um grupo de 50 pessoas sequestradas de duas escolas no último dia 20 de março.

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