Um grupo de cerca de quatro homens armados invadiu um resort da ilha de Bornéu, na Malásia, levando três malaios como reféns, em uma pequena embarcação, rumo ao sul das Filipinas. O ataque ocorreu na ilha de Pandanan, no domingo, e a polícia está tentando identificar o grupo de sequestradores. Pandanan fica a uma hora da ilha de Sidapan, onde o grupo separatista rebelde Abu Sayyaf sequestrou 21 reféns de um outro resort, incluindo turistas europeus, mantidos prisioneiros por quatro meses na ilha de Jolo.
Os três malaios capturados ontem eram um chinês étnico, um indiano étnico e um indígena Kadazan. Supõe-se que fossem, respectivamente, o gerente do resort, o instrutor de mergulho e um empreiteiro. O resort fica a uma hora e meia da costa filipina. A Malásia está dividida em duas regiões: a península malaia ao sul da Tailândia, e a região ao norte da ilha de Bornéu.
Ontem, os quatro europeus sequestrados de um resort malaio pelo grupo rebelde Abu Sayyaf chegaram à Líbia, que teria pago US$ 4 milhões pela sua libertação. Ainda nas Filipinas, os europeus libertados sorriram e abraçaram os negociadores filipinos e líbios antes de embarcarem em um luxuoso avião Ilyushin, anteriormente usado pelo ex-presidente russo Boris Yeltsin em seus vôos para Trípoli.
Risto Vahanen, um finlandês que estava entre os reféns, disse durante uma entrevista à rede de televisão MTV3 Finlandesa, que os sequestradores estupraram algumas das mulheres mantidas como reféns. Segundo ele, as vítimas pediram para que o resto do grupo não informasse seus nomes, mas que o ocorrido fosse tornado público. ‘‘Elas são da opinião de que isso tem que ser falado, sem nomes, para que o mundo saiba o que Robot (apelido de Ghalib Andang, líder do grupo rebelde) fez’’, disse Vahanen.
Os quatro pertenciam ao grupo de 21 turistas sequestrados no dia 23 de maio pelos rebeldes de um resort na ilha malaia de Sidapan. Ainda permanecem em poder dos rebeldes dois jornalistas franceses, o instrutor de mergulho do resort, Roland Ulla, além de 12 filipinos cristãos evangélicos.
A refém sul-africana Monique Strydom, fez um apelo emocional pela libertação de Ulla. Ela receia que, com a libertação dos europeus, os filipinos sejam abandonados à sua própria sorte no acampamento. As negociações para soltar os reféns remanescentes foram suspensas em função de conflitos entre as facções do Abu Sayyaf por causa de divergências com relação à divisão do dinheiro do resgate.
A Líbia desempenhou um papel de destaque nas negociações, pagando US$ 1 milhão para cada um dos quatro europeus, mas resiste em pagar pelos jornalistas franceses, afirmando que a rede de televisão francesa é responsável por eles. A Líbia insiste em afirmar que o dinheiro pago será destinado a projetos de desenvolvimento da região e não para o bolso dos rebeldes, mas os reféns libertados desmentiram essa afirmação.

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