São Paulo - Um grupo de rebeldes sírios afirmou ontem que controla dois bairros da capital Damasco, onde ocorrem combates entre tropas da oposição e do regime do ditador Bashar Assad desde sábado.
O porta-voz do conselho militar insurgente para a região de Damasco afirmou que o Exército sírio perdeu o controle dos bairros de Midan, próximo ao Centro da cidade, e de Tadamun, ambos com maioria hostil ao regime.
O opositor Exército Livre Sírio afirma que as forças de Assad bombardeiam de fora dos dois bairros. De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres, quatro pessoas morreram nos conflitos em Damasco. As autoridades não fizeram comentários sobre as ações até o momento.
Os combates também aconteceram em Jaled ben el Walid, avenida que une Midan e o centro da cidade, em Aasali, na Zona Sul, Barzé, a noroeste do Centro, Qabun e Jobar, na Zona Leste, e Kafar Susé, na Zona Oeste. Em Tadamun, as redes de água, luz e telefone foram cortadas.
Enquanto ocorrem os combates na capital síria, o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) ao país árabe, Kofi Annan, viajou ontem para a Rússia, em um esforço para obter apoio ao plano de paz e a resoluções contra o regime sírio.
Em reunião com o ministro de Relações Exteriores, Sergei Lavrov, Annan enfatizou a necessidade de manter a missão de 300 observadores, mas com ênfase em conseguir articular um governo de transição com membros do regime e da oposição, aprovado pelas potências no último dia 30 de junho em Genebra.
Moscou se mantém fiel ao programa de paz proposto pelo enviado especial em abril e se recusa a impor sanções ao regime de Bashar Assad, apesar das pressões de países da Europa e dos Estados Unidos.
O chanceler russo afirma desejar que os monitores consigam fazer a mediação para terminar os combates entre regime e oposição e acusa os países ocidentais de chantagem ao não querer prorrogar a missão de observadores sem a aprovação de sanções a Assad.
''Observamos elementos de chantagem. Dizem que se não aprovamos a resolução do artigo 7, se negarão a prorrogar a missão dos observadores nesse país'', disse Lavrov.
Para Moscou, o Ocidente quer impor todos os impedimentos à missão de observação para abrir caminho para uma intervenção militar similar à ocorrida na Líbia.

Imagem ilustrativa da imagem Rebeldes dizem tomar conta de bairros de Damasco
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