Líderes da segunda maior força rebelde da Colômbia aceitaram os pontos centrais de um plano de paz para o país, informou ontem o anfitrião das reuniões entre os rebeldes e líderes cívicos. Hans Langendoerfer, secretário-geral da Conferência de Bispos da Alemanha, patrocinadora das conversações, afirmou numa entrevista coletiva que o Exército de Libertação Nacional (ELN) concordou em renunciar aos sequestros de idosos, crianças e mulheres grávidas e aos raptos em geral se houver outras fontes de receita disponíveis.
Disse ainda que o ELN também comprometeu-se a não usar minas em zonas de conflito e a apoiar medidas concretas para a proteção dos direitos humanos, inclusive a proteção de escolas, hospitais e reservatórios de água.
As negociações - que começaram no domingo entre comandantes do ELN, líderes de sindicatos, industriais e eclesiásticos - aconteceram num monastério do século XIII próximo à cidade alemã de Wuerzburg.
O novo presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, e o governo alemão foram informados do resultado das conversações, mas representantes governamentais não participaram das discussões.
A Colômbia passa por uma guerra civil já há 30 anos. As perspectivas de paz receberam um forte impulso na semana passada no encontro histórico entre Pastrana e líderes do principal grupo guerrilheiro, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Por sua vez, os esquadrões da morte colombianos de extrema-direita, acusados de já ter matado milhares de civis desarmados, também informaram que estão dispostos a iniciar conversações de paz mas se negaram a abrir mão de suas armas a curto prazo.
Denúncia De rosto intelectual e cabelos pretos, o comandante guerrilheiro Pablo Beltrán, que ontem assinou um acordo de paz com membros do poder econômico e político da Colômbia, falou com muita segurança e denunciou de maneira convincente os responsáveis pelas violações aos direitos humanos em seu país.
Ao começar a coletiva para apresentar o Acordo da Porta do Céu, em alusão ao nome em alemão do convento onde passou três dias com seus companheiros guerrilheiros Miltón Hernández e Juan Vásquez e 40 membros da sociedade civil da Colômbia, Beltrán parecia muito tenso e concentrado.
Diante de dezenas de microfones e câmaras de televisão, enquanto os fotógrafos o ‘‘metralhavam’’ som suas máquinas, Beltrán colocou, um pouco nervoso, uma pequena bandeira vermelha e preta, com as iniciais ELN em branco, na mesa de entrevista.

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