Rebeldes ameaçam atacar Porto Príncipe
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004
Das agências 
São Paulo - Rebeldes armados que já tomaram metade do Haiti alertaram ontem sobre um ataque iminente à capital do país e aconselharam o presidente haitiano, Jean-Bertrand Aristide, a deixar seu palácio nacional imediatamente. Em entrevista à TV CNN, porém, Aristide voltou a afirmar que se manterá no cargo até fevereiro de 2006, como está previsto na Constituição.
Barricadas foram colocadas nas ruas antes de um eventual ataque dos rebeldes muitos são soldados que acusam Aristide de corrupção. Poucos defensores do presidente haitiano foram às ruas ontem. Escolas estavam fechadas e o comércio foi suspenso, enquanto muitos moradores ficaram em casa. Estrangeiros e haitianos corriam para o aeroporto para fugir da cidade, temendo que vôos para dentro e fora do país fossem suspensos em breve.
''O ataque é iminente e peço à população para ficar em casa quando atacarmos Porto Príncipe'', declarou o líder rebelde Guy Philippe a uma rádio local a partir de Cap Haitien, a segunda maior cidade do país que foi tomada pelos rebeldes na semana passada. ''Aconselho o presidente Aristide a deixar o palácio nacional imediatamente. Estaremos atacando logo e capturando-o'', disse o ex-chefe de polícia.
Uma solução negociada parece distante. Grupos políticos de oposição, que se distanciam dos rebeldes, insistem que Aristide deve renunciar, minando os esforços da comunidade internacional de chegar a uma solução para o conflito com um acordo de divisão de poder.
A rebelião que já dura três semanas no país mais pobre da América colocou a força policial de Aristide, com 4 mil membros, contra centenas de manifestantes. Enquanto os Estados Unidos demoram em agir para ajudar a controlar a crise, a França aproveitou para tentar liderar os esforços para retomar a ordem. O país pede que uma missão de paz internacional seja enviada sem demora ao Haiti.
''Washington tem outras prioridades Iraque, Afeganistão'', disse Jean-Jacques Kourliandsky, do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas. Nesta semana, o presidente norte-americano, George W. Bush, rejeitou o pedido de ajuda de Aristide, argumentando que um acordo político deveria ocorrer primeiro.
Bush também advertiu os haitianos que não tentassem refúgio na Flórida, mas mesmo assim a guarda costeira norte-americana interceptou dois barcos com 140 imigrantes ilegais provenientes da ilha, localizada a sudeste de Cuba. Há informações que outros 250 cidadãos estão no mar, rumo à América do Norte.
Ontem os países da comunidade do Caribe (Caricom) pediram ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que autorize a ''urgente mobilização'' de uma força internacional para restaurar a lei e a ordem no Haiti.
Mais de 60 pessoas já morreram desde 5 de fevereiro, quando os rebeldes, uma aglutinação de gangues e ex-soldados fortemente armados, começaram uma revolta ao tomar a cidade de Gonaives. Há 28 brasileiros residentes no Haiti, sendo 19 deles freiras que prestam serviços humanitários em cidades do interior. O Ministério das Relações Exteriores continua observando a situação de perto e, se for necessário, dará apoio para a retirada de todos os brasileiros do país.


