LUBUMBASHI - Os rebeldes zairenses advertiram ontem a todos os estrangeiros de que devem retirar-se imediatamente de Kinshasa, pois suas vidas estão ameaçadas. ‘‘Tropas de Mobutu pretendem promover um massacre de cidadãos de outros países para provocar uma intervenção externa e a internacionalização do conflito’’, denunciou Bizima Karaha, o ‘‘chanceler’’ da Aliança de Forças Democráticas de Libertação do Congo-Zaire (AFDL).
Karaha disse também que os rebeldes decidiram quebrar promessa feita ao presidente sul-africano Nelson Mandela e prosseguir o avanço para a Capital. Cerca de dois terços do País já estão em poder dos rebeldes. O dirigente também voltou a acusar ontem ex-combatentes da Unita (União Nacional para Independência Total de Angola) e hutus ruandeses derrotados pelos tutsis ruandeses em 1994 de lutar ao lado das tropas de Mobutu.
O ‘‘chanceler’’ confirmou a participação do líder rebelde Laurent Kabila nas conversações de amanhã a bordo do navio sul-africano Outeniqua, ancorado no porto angolano de Poite-Noire desde o dia 4. ‘‘Kabila só impõe uma condição: a presença de Mobutu na mesa das negociações’’, disse. ‘‘A AFDL exige que a transferência de poder se faça de Mobutu para Kabila.’
Karaha se referia à indicação do arcebispo de Kisangani, Laurent Monsengwo, como presidente do Parlamento zairense, cargo vago há dois anos (cujo ocupante, de acordo com a constituição zairense, assume a presidência do País nos casos de renúncia, morte ou incapacidade permanente do titular). O sacerdote está em Bruxelas (Bélgica) e resiste à convocação. ‘‘Não quero fazer o jogo de Mobutu’’, disse.
A indicação do arcebispo - destituído em 1995 do chamado Alto Conselho da República-Parlamento de Transição (ACR-PT) - foi resultado de uma reunião de cúpula entre representantes de cinco países africanos e Mobutu, realizada na quinta-feira, em Libreville (Gabão).
‘‘Monsengwo paralisou a revolução anos atrás e pode querer repetir a dose agora’’, acusou o ‘‘chanceler’’ rebelde. E acrescentou: ‘‘Não vamos negociar com esse senhor que é mais um criador de confusão.’
Bem perto Segundo Kabila, suas forças estão a apenas 60 quilômetros da Capital, mas observadores militares põem em dúvida essa informação. ‘‘Se não fossem as interferências internacionais, já poderíamos ter tomado a Capital’’, desabafou o líder rebelde, que se disse disposto a deter suas forças até a reunião de amanhã. ‘‘Isso não significa, como já explicamos, trégua.’
Uma missão de ajuda humanitária da ONU enviada para uma região a leste do Zaire descobriu milhares de refugiados hutus ruandeses abandonados, sem comida ou remédios, com muitas pessoas à beira da morte. Funcionários humanitários viajaram para o vilarejo de Ubolo, ao sul de Kisangani, e distribuíram 26 toneladas de comida antes de deixar a região levando 468 refugiados, quase todos crianças.

mockup