Rebeldes aceitam cessar-fogo na Síria
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Das Agências 
São Paulo - Noventa e sete facções rebeldes aceitaram o cessar-fogo proposto por Rússia e Estados Unidos para a guerra civil síria, segundo o Alto Comitê de Negociações (ACN), que reúne diversos grupos de oposição ao governo do ditador Bashar Al-Assad. A trégua, que teoricamente entra em vigor hoje e terá duas semanas de duração, não inclui as facções extremistas Estado Islâmico e Frente Al-Nusra (ramo da Al Qaeda), nem outras organizações terroristas reconhecidas pela ONU.
Segundo o comunicado do ACN, a oposição espera que o regime sírio e seus aliados se comprometam com a trégua e não usem o pretexto da luta contra terroristas para atacar forças rebeldes. O governo sírio diz que respeitará o cessar-fogo, mas se dá o direito de revidar qualquer ataque. Também a Rússia afirmou que continuará sua ofensiva contra grupos terroristas, conforme autorização do Conselho de Segurança da ONU.
Segundo a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), forças aéreas russas bombardearam civis perto de Damasco, no subúrbio rebelde de Douma, na madrugada de quinta para sexta. O governo de Moscou rejeitou a acusação. Também foram registrados ataques nas imediações da cidade de Aleppo, que vem sendo disputada entre forças rebeldes e o governo há semanas. Anteontem, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse ter esperança de que o cessar-fogo na Síria possa levar a um acordo político que ponha fim à guerra civil e que permita uma luta focada contra o Estado Islâmico. No entanto, ele também disse não ter expectativa de que a trégua possa imediatamente pôr fim a hostilidades entre forças aliadas a Assad e rebeldes.
AMEAÇA
O chefe da Frente Al-Nusra, Mohammad al-Julani, pediu aos rebeldes que rejeitem o acordo de cessar-fogo russo-americano e intensifiquem a luta contra o regime de Bashar al-Assad, em uma mensagem de áudio divulgada ontem.
"Desconfiem desta mentira do Ocidente e da América, porque todo mundo os força a voltar sob o polegar opressivo do regime", afirmou o líder do ramo sírio da Al-Qaeda que combate ao lado dos rebeldes em várias regiões do país e que está excluído do acordo de cessar-fogo.
"Combatentes da Síria, armem-se, intensifiquem seus ataques e não tenham medo das tropas e de seus aviões", insistiu.


