Reação siciliana pode estar acabando
ReproduçãoPaolo Falcone e Giovane Borsellino: mártires na guerraOs magistrados dizem em Palermo acreditar que a tentativa da máfia de voltar aos bons e velhos tempos de 30 anos atrás seria difícil. A Sicília de hoje não é mais um lugar onde um chefe da máfia local, um político, um homem de negócios e um burocrata se sentariam abertamente e em total tranquilidade para jantar ou jogar cartas em um clube - algo que era uma ocorrência normal nos anos 60, disse Lo Forte. Mas os magistrados temem que a coragem das pessoas de se levantarem e dizerem não esteja enfraquecendo de novo.
As grandes manifestações anti-máfia depois dos assassinatos de Falcone e Borsellino são uma memória pálida do passado. Para muitos sicilianos, momentos de coragem abriram caminho para um medo passivo. No campo e nas cidades pequenas, medo e condicionamento estão profundamente enraizados. A lei da omerta (silêncio) ainda é muito forte e é muito difícil encontrar pessoas para testemunhar, afirmou Lo Forte. É um pouco diferente nas cidades grandes, mas mesmo lá a máfia ainda gera medo no coração dos sicilianos, particularmente lojistas e donos de pequenos negócios que estão sujeitos a extorsões.
Os chefes da máfia não deixam cartões de apresentação, pelo menos não do tipo escrito. Então como os magistrados sabem quem está comandando estes dias? Eles acreditam que a Cosa Nostra ainda tem uma estrutura piramidal, apesar de que as baixas geradas pelos magistrados nos anos recentes podem ter forçado mudanças. Na máfia tradicional, no topo da pirâmide estava A Comissão. Talvez o clube de homens mais secreto, era composto pelos representantes dos mandamenti, ou grupos distritais de três famílias com territórios vizinhos.
ReproduçãoAs manifestações anti-máfias são uma memória pálida do passadoLo Forte disse que a história da máfia mostra que em tempos de dificuldade a comissão era efetivamente suspensa e um círculo ainda mais restrito com poderes especiais era criado. É mais difícil para nós saber o que está acontecendo nos níveis mais altos. Não podemos ter certeza que uma comissão no velho estilo exista, mas há algum tipo de autoridade maior, ele disse. Sabemos como fato que quando há grandes questões financeiras que dizem respeito a mais de uma família, há uma autoridade mais alta que é consultada para decidir.
Se a comissão ainda existe, seu chefe mais provável é Bernardo Provenzano, um associado de Riina que também veio da cidade de Corleone e tem sido um fugitivo desde 1969. Ingroia mantém uma foto de Falcone e Borsellino sorrindo - os magistrados mortos em 1992 - em seu escritório do bunker. Há duas maneiras de recordar, ele disse, olhando para a foto. Uma é lembrar de dois homens caídos com afeição. A outra, mais importante, é olhar para eles e para o passado como estímulo para o trabalho que desenvolvemos hoje.(P.P.)





