O escândalo de abusos sexuais cometidos por sacerdotes contra freiras, que comoveu durante os últimos dias os conventos femininos e o clero católico, levou o Vaticano a se mostrar mais severo quanto a escolha de candidatos à vida sacerdotal e religiosa.
Os primeiros sintomas do fenômeno foram denunciados no final dos anos 80. Jovens moças, procedentes de Kerala (Índia), que foram recrutadas com espantosa facilidade e sem critérios por ordens religiosas, foram surpreendidas nas ruas de Roma.
Esse escândalo deu origem a quatro investigações, realizadas por uma religiosa canadense, a irmã Marie McDonald, e por uma irlandesa, a irmã Maura O’Donohue, publicadas na semana passada pelo jornal católico norte-americano National Catholic Reporter.
‘‘A irmã Maura cita 23 países do mundo inteiro, mas na realidade a África é a mais afetada, com 98% dos casos. Na Europa e nos Estados Unidos, os casos são esporádicos’’, informou à AFP um religioso romano, próximo da investigação.
‘‘Existem bispos africanos que dão com muita rapidez a autorização para pequenas novas comunidades de religiosas, que não têm mais do que uma modesta formação’’, assegura sob anonimato um sacerdote da congregação vaticana para a vida consagrada.
‘‘Foram tomadas medidas muito firmes. Agora, é extremamente difícil que se aceitem nos colégios romanos noviças e seminaristas procedentes do Terceiro Mundo, que não sejam religiosos já consagrados ou sacerdotes ordenados’’, afirma.
Além disso, ele lembra que sempre existiram casos de ‘‘fragilidade’’ na história da Igreja. Há dois anos, um padre do arquivo secreto da Santa Sé, monsenhor Filippo Tamburini, escreveu um livro dedicado a episódios significativos dessa natureza, que acontecem desde o século XV.

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