Tradicional aliada dos sérvios, a Rússia reagiu com indignação ao ataque da Otan. O presidente Boris Yeltsin decidiu rever as relações da Rússia com a Organização atlântica, enquanto o primeiro-ministro Yevgeny Primakov ameaçava deslocar armas nucleares táticas para a Bielo-Rússia. ‘‘Se situação assumir contornos inconvenientes para a segurança da Rússia, certamente vamos adotar tal providência’’, insistiu.
Pouco antes, Serguei Prijodko, conselheiro político do presidente russo, havia garantido, em entrevista à agência Interfax, que a Rússia não tinha intenção de fazer ameaças em relação a Kosovo.
Yeltsin foi avisado com algumas horas de antecedência sobre o início do bombardeio por Clinton. Os dois conversaram por telefone durante 50 minutos. ‘‘Foi um diálogo muito duro’’, ressaltou Prijodko. ‘‘Yeltsin insistiu na tese russa de que esse assunto é da exclusiva competência do Conselho de Segurança da ONU’’, acrescentou o assessor político. ‘‘Ressaltou também que o bombardeio da Iugoslávia põe em sério risco a estabilidade na Europa, podendo provocar uma guerra.’’
Segundo o porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart, Clinton pediu compreensão e colaboração a Yeltsin.
China contra O presidente da China, Jiang Zemin, exigiu ontem o fim imediato dos ataques contra a Iugoslávia e o retorno das negociações para que a calma seja restaurada na província sérvia de Kosovo. Zemim ficou sabendo dos ataques da Otan durante um jantar oferecido a ele em Milão para marcar o final de sua visita de cinco dias à Itália. ‘‘A violência não resolve os problemas. Ao contrário, ela os torna mais complexos’’, disse ele.

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