A Suprema Corte de Justiça do Paraguai decidiu ontem promover um julgamento penal do presidente Raúl Cubas. O julgamento será aberto por um juiz de Primeira Instância para acusar o presidente de desacato à Corte.
Cubas é acusado de proteger o ex-general golpista Lino Oviedo, condenado a dez anos de prisão. Pelas mesmas razões, o Congresso iniciou este mês os preparativos para um julgamento político contra o mandatário. As acusações serão analisadas pelos deputados no final de março. Analistas dizem que esta é a pior crise desde a queda da ditadura de Alfreddo Stroessner, em 1989.
Enquanto a Corte ordenava o julgamento, porta-vozes de uma facção que controla o Partido Colorado, e discorda das diretrizes de Cubas, asseguraram que a embaixadora dos Estados Unidos, Maura Harty, se encontrou com o vice-presidente, Luis María Argana, para saber o que ele faria no caso de substituir Cubas. A embaixadora visitou Argana na terça-feira em sua residência, acompanhada de seus principais assessores. Bader Rachid, presidente do Partido Colorado, garantiu que o encontro objetivou apenas troca de informações sobre a política atual.
Embora assessores da embaixada dos EUA também neguem que Maura Harty tenha ido pedir informações sobre as diretrizes do poder paraguaio caso Cubas caia, na semana passada ela também se encontrou com o presidente da Corte Suprema, Wildo Rienzi, pouco depois de Cubas ter dito que se negava a obedecer à ordem de prender Oviedo.
A situação se agrava na medida em que Cubas, além de proteger Oviedo, mandou prender o ex-comandante da Força Aérea, César Cramer. Este se opôs à tentativa de golpe de Estado de Lino Oviedo, em 96. Cramer, preso há uma semana na Guarda Presidencial, deve comparecer hoje à Corte Suprema para ser interrogado por juízes.

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