Havana - Enquanto se esforça para atrair investimentos estrangeiros para a zona econômica especial do Porto de Mariel, o ditador de Cuba, Raúl Castro, atacou o "crescimento desmedido" dos lucros das empresas multinacionais. "São inegáveis os benefícios do investimento estrangeiro direto para as economias da região e das injeções de capital das multinacionais que operam nela, porém esquecemos que o crescimento desmedido dos lucros que obtêm, de 5,5 vezes nos últimos 9 anos, afeta seu impacto positivo sobre o balanço de pagamentos", disse.
O líder cubano, que abriu a cúpula da 2ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), depois de apresentação de Guantanamera e Aquarela do Brasil por uma banda, disse também que os países devem exercer "plenamente a soberania sobre os recursos naturais e delinear políticas adequadas nas relações com o investimento estrangeiro e com as empresas multinacionais". Ele também se solidarizou com o colega equatoriano Rafael Correa, "ameaçado por processos de empresas transnacionais em tribunais influenciados pela cobiça e uma política neocolonial".
O governo equatoriano está em uma longa batalha judicial com a petrolífera americana Chevron. Na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff anunciou um investimento adicional de US$ 290 milhões (R$ 701 milhões) na zona econômica especial do Porto de Mariel. A zona é a grande aposta do governo cubano para atrair investimentos e "atualizar" o modelo socialista da ilha.
Como costuma acontecer em todas as cúpulas latino-americanas, Raúl Castro disse ser solidário à Argentina em relação às Ilhas Malvinas. E concluiu atacando o embargo americano. "Agradeço a todos pelas mostras de solidariedade ante o bloqueio imposto ao meu país durante mais de meio século e a injusta inclusão de Cuba na lista de patrocinadores do terrorismo do Departamento de Estado dos Estados Unidos."

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