Raúl Castro abre reunião de cúpula em Cuba
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quinta-feira, 14 de setembro de 2006
Folhapress 
São Paulo - Raúl Castro inaugurou ontem a reunião do Grupo dos 15, na primeira vez em que aparece como anfitrião da Cúpula dos Países Não-Alinhados, em Havana. Raúl assumiu interinamente o poder em Cuba em 31 de julho, quando seu irmão, Fidel, foi submetido a uma cirurgia.''Nossos países não têm outra alternativa além de se unir para vencer os obstáculos comuns que enfrentam'', disse Raúl em seu discurso de inauguração.
Reunidos em sua Cúpula em Havana, os 118 países membros do Movimento dos Países Não-Alinhados (NOAL) exigem uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, que conta atualmente com cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
Além dos membros permanentes, o Conselho tem dez membros não-permanentes, eleitos por maioria de dois terços na Assembléia Geral por dois anos, sem direito de veto e não reelegíveis.
Distintas propostas de reforma do Conselho circulam na ONU. A última delas recebeu o apoio do secretário-geral da ONU, Kofi Annan - que deve participar do encontro -, e incluiria seis novos membros permanentes: Japão, Índia, Alemanha, Brasil e dois países africanos membros do NOAL, África do Sul e Egito.
Antecipando trechos do documento final que deve ser firmado pelos participantes da cúpula neste fim de semana, o vice-chanceler cubano, Abelardo Moreno, afirmou que os não-alinhados vão condenar ''energicamente'' as ''recentes agressões'' cometidas por Israel contra o Líbano. Já o chanceler libanês, Fawzi Sallaoukh, que participa da cúpula, disse esperar conseguir apoio para a reconstrução de seu país.
Após visitar Fidel pela quarta vez, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que o ditador cubano ''está mais vivo do que nunca: caminha, canta e até está pronto para jogar beisebol''.
Chávez afirmou que Fidel ficou parecido com Dom Quixote após perder muitos quilos por causa da cirurgia, mas que é um ''Dom Quixote vitorioso, invencível''.
Em artigo publicado ontem no jornal argentino ''Página 12'', o deputado esquerdista Miguel Bonasso, que representa o governo da Argentina na cúpula, disse que visitou o ditador na véspera e que ele parece ''o mesmo Fidel de sempre''. ''Mais magro, é verdade, mas não tanto como nas últimas fotos dele''.
''O nó que eu levava apertado na garganta se desmanchou imediatamente. Pode soar incrível, mas Fidel estava lúcido como sempre'', escreveu ainda.


