Rau é eleito presidente da Alemanha
Johannes Rau, 68 anos, foi eleito ontem em Berlim presidente da República Federal da Alemanha, tornando-se assim o segundo chefe de Estado social-democrata (SPD) da história do País.
Após a vitória de Gerhard Schroeder em setembro, que pôs fim a 16 anos de governo do conservador Helmut Kohl, esta eleição garante as duas mais altas funções do Estado à social-democracia alemã.
Johannes Rau, um barão do SPD cuja popularidade ultrapassa as fronteiras de seu partido e do seu feudo político, a Renânia do Norte-Westfália, obteve os votos de 690 dos 1.338 delegados da Assembléia Federal, ou seja, 20 votos a mais que a maioria absoluta necessária. No primeiro turno, faltaram apenas 13 votos.
Os candidatos da oposição democrata-cristã, Dagmar Schipanski, de 55 anos, e do Partido Comunista Renovado, Uta Ranke-Heinemann, de 71 anos, obtiveram respectivamente 572 e 62 votos.
O novo presidente governou durante duas décadas o Estado regional alemão mais populoso e industrializado, a Renânia do Norte-Wesfália. A cerimônia de transmissão de posse está marcada para 1º de julho.
A carreira política de Johannes Rau toma assim uma dimensão nacional, com a qual sonhava após duas derrotas sucessivas: em 1987 na corrida pela chancelaria contra Helmut Kohl e em 1994 nas presidenciais, que concorreu com o cristão-democrata Roman Herzog, ao qual vai suceder.
Irmão Johannes, como é chamado este filho de pastor protestante e ex-jornalista, vai poder aplicar no país a divisa que garantiu sua reeleição durante duas décadas na Renânia do Norte-Westfália: reconciliar mais que dividir.
Em breve alocução na Assembléia federal - instância composta de deputados do Bundestag, 669 nesta legislatura, e representantes designados pelos Laender, estados regionais -, fixou as prioridades: ser o presidente de todos os alemães e dos estrangeiros que residem na Alemanha, trabalhar pela igualdade de oportunidades entre alemães do leste e do oeste. Desejou também que a guerra de Kosovo chegue ao fim antes de sua posse, a 1º de julho.
Rau, também chamado de patriarca por ter sido o decano dos chefes de governo regionais, renunciou simultaneamente à presidência da poderosa organização regional do SPD, seguramente porque já tinha em mente candidatar-se à presidência, uma função bem acima dos partidos.
O patriarca parece reunir todas as qualidades requeridas para um presidente alemão: discurso claro marcado por um gosto desmesurado pelo consenso.
Para Rau, a mais alta função de Estado não é nem um coroamento, nem o cumprimento do sonho de uma vida, mas sim a ocasião de servir a democracia. O homem também não tem ilusões sobre as funções de presidente, que são mais protocolares e simbólicas, declarando: O presidente federal só tem a força das palavras, nada mais.France PressePatriarcaO presidente eleito Johannes Rau, acompanhado da esposa Christina: decano dos chefes de governo regionaisHervé Asquin
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