Rascunhos de Nisman são verdadeiros
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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2015
Folhapress 
Buenos Aires - A nova rusga do Clarín com o governo de Cristina Kirchner, na Argentina, teve desdobramento ontem. A promotora responsável por investigar a morte de Alberto Nisman, Viviana Fein, voltou atrás e confirmou que foram encontrados rascunhos na casa do promotor e que, nestes rascunhos, havia um pedido de prisão da presidente Cristina Kirchner, seu chanceler Héctor Timerman e outros envolvidos.
Nisman acusava o governo Kirchner de encobrir supostos culpados iranianos do atentando à Amia (associação judaica), em 1994. Ele foi encontrado morto em seu apartamento na noite do dia 18 de janeiro. A informação de que Nisman havia pensado em pedir a prisão da presidente foi divulgada pelo jornal Clarín na sua edição deste domingo.
Na segunda-feira, o chefe de gabinete da Casa Rosada, Jorge Capitanich, rasgou as páginas do Clarín durante entrevista coletiva que concede diariamente e que é transmitida pela TV. Capitanich acusou o jornal de mentir e usou como argumento a nota do juiz responsável pelo caso, Ariel Lijo, de que a denúncia que chegou à Justiça não pedia a prisão de nenhum dos acusados. Outra nota, divulgada pela assessoria da fiscal Viviana Fein, negava a existência desses rascunhos, o que reforçava a crítica do governo.
Ontem, porém, Fein disse que os rascunhos existem e que fazem parte dos documentos analisados na investigação. Em entrevista a uma rádio argentina, disse que a nota divulgada na segunda tinha um "erro de interpretação" da assessoria de imprensa. Ela disse que ditou a resposta por telefone e que foi mal interpretada.


