Ramos Horta denuncia omissão mundial
Agência Estado
e France Presse
De Washington
O líder exilado do movimento pela independência de Timor Leste, José Ramos Horta, denunciou ontem a omissão da comunidade internacional diante do que chamou de genocídio dos timorenses por gangues paramilitares contrárias à separação da Indonésia e que agem desde domingo com o aparente beneplácito das tropas de Jacarta instaladas no antigo território português.
Esta é uma agressão contra todas as instituições, contra as Nações Unidas, contra as agências humanitárias, afirmou Ramos Horta durante uma entrevista no Clube Nacional da Imprensa, em Washington.
O que está fazendo o Ocidente, o Ocidente que interveio na Bósnia, que interveio na Sérvia e bombardeou o país em nome dos direitos humanos e para impedir a limpeza étnica?, perguntou Ramos Horta, que dividiu o prêmio Nobel da Paz de 1996 com o bispo católico de Dili, Carlos Belo, por sua liderança no movimento de resistência cívica contra a ocupação de Timor pela Indonésia. O Ocidente não está sequer considerando sanções econômicas e financeiras contra a Indonésia, disse ele.
Acho extraordinário que as pessoas no Banco Mundial consigam dormir à noite sabendo que a instituição continua a desembolsar fundos, centenas de milhões de dólares de dinheiro público para financiar um regime despótico que comete genocídio, afirmou. Os países que foram à guerra contra a Sérvia por causa de Kosovo são os mesmos que forneceram armas e treinamento militar à Indonésia, possibilitando que esse genocídio ocorra no final do século 20.
O líder comparou o massacre dos timorenses mais de 200 mil, ou um terço da população do território em 1975, quando Portugal o abandonou, foram assassinados ou morreram de fome no início da ocupação indonésia, e centenas, talvez milhares já teriam sido assassinados nos últimos dias ao Holocausto dos judeus na Europa. Pedimos uma imediata intervenção internacional em Timor Leste, sob mandato da ONU, disse Ramos Horta.
Horta acusou Washington de permitir as matanças em Timor Leste. Tenho medo de que nos próximos dias ou próximas semanas milhares de pessoas estarão mortas e Washington continuará estendendo tapete vermelho para os carniceiros.
Ramos Horta advertiu que a decisão da ONU de retirar sua missão de Timor Leste (Unamet) asseguraria uma escalada nas matanças cometidas pelas milícias anti-separatistas, as quais, afirmou, estão diretamente subordinadas ao governo da Indonésia.
Ele ridicularizou a imposição da lei marcial por parte de Jacarta como uma cobertura legal para a violência desatada em Timor Leste depois do plebiscito de 30 de agosto, no qual os eleitores se pronunciaram esmagadoramente em favor da independência. Esta é uma guerra orquestrada pelos militares indonésios contra o povo de Timor Leste.Líder timorense no exílio acusa Washington de permitir matança e compara massacre ao Holocausto dos judeus na Europa
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