Ramadã pode aumentar tensão do conflito
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segunda-feira, 27 de novembro de 2000
Maranúbia Barbosa De Londrina 
A situação política no Oriente Médio pode ficar ainda mais tensa com o início do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos. Durante 30 dias, contados a partir de hoje, até a próxima lua nova, cerca de um bilhão de muçulmanos no mundo inteiro se submetem a um rigoroso jejum, do nascer ao pôr do sol. Nesse período, é proibido comer e beber, usar perfume e manter relações sexuais. De acordo com o calendário islâmico, que é lunar e está no ano 1421, o mês do Ramadã representa um dos cinco pilares onde se sustenta o Islã. Por estar concentrado em regiões com alto índice de natalidade, como o norte da África, Oriente Médio, e países como Paquistão e Índia, o Islã é a religião que mais cresce no mundo.
Para os islâmicos, o Ramadã tem um forte apelo religioso, sendo considerado um mês de vitórias. Tradicionalmente, muitos dos conflitos ocorridos no Oriente Médio tendem a se agravar nessa época. A abstinência, ao contrário do que possa parecer, injeta uma força extra aos adeptos da religião fundada por Maomé, que viveu entre 570 e 632 d.C., na Arábia Saudita, onde estão as cidades sagradas de Meca e Medina. Para o sheik Ahamad Saleh Mahairi, enviado do governo da Arábia Saudita para assuntos islâmicos em Londrina e norte do Paraná, os palestinos vão estar mais expostos à violência. A força espiritual aumenta e a situação pode se complicar na Palestina, afirmou Mahairi.
Os palestinos, em nova Intifada (guerra de pedras) desde o dia 28 de setembro, podem ser impelidos a pressionar Israel, aumentando a escalada de violência na região. Desde o início das hostilidades, após uma visita do líder do partido de direita Likud, o israelense Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, já morreram 278 pessoas, em sua maioria palestinos.
Nos países islâmicos o Ramadã impõe um ritmo lento no comércio, em escolas e nas repartições públicas, que funcionam em horários especiais. Pelas regras da religião, estão dispensados de praticar o jejum pessoas idosas, gestantes, mulheres que estão amamentando, menores de 16 anos e pessoas em trânsito. Em alguns países, como o Irã, o Alcorão, livro sagrado onde estão as normas de conduta, rege a própria constituição do país.
No Brasil, existem aproximadamente um milhão de muçulmanos, a grande maioria descendentes de árabes. Dentre eles, 10 mil estão no Paraná, sendo que em Londrina e região vivem cerca de 400 adeptos, coordenados pela Sociedade Beneficente Muçulmana. Nas sete mesquitas existentes no Estado, os muçulmanos oram cinco vezes ao dia, em direção à Meca, onde fica a Caaba, pedra negra considerada sagrada.
O sheik Ahmad Saleh Mahairi exlicou que o objetivo do Ramadã é aproximar ricos e pobres, nivelados pela fome. Exercitamos a paciência e conhecemos os efeitos da falta de alimentos e água. Segundo Mahairi, no último dia do mês os islâmicos realizam doações a famílias carentes. Uma grande festa de confraternização será realizada na Mesquita Rei Faiçal, de Londrina.
De acordo com Mahairi, que chegou em Londrina em 1973, cerca de 70 dias após o Ramadã os muçulmanos participam da peregrinação à Meca. Todo aquele que tem condições financeiras deve viajar para lá, ao menos uma vez na vida. Além da peregrinação, o Islã determina que os seguidores paguem o dízimo anual (zakat) de 2,5%, orem cinco vezes ao dia em direção à Meca e reconheçam que Alá é o único deus e Maomé seu profeta.
Além do Ramadã, os muçulmanos jejuam uma vez por semana, na sexta-feira. A purificação, segundo o sheik Mahairi, é a principal função da abstinência. Ainda segundo o líder religioso, a palavra Islã significa total submissão à Deus.


