Ramadã inicia com forte segurança nas mesquitas
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sexta-feira, 15 de outubro de 2004
Ezzedine Said<br> France Presse 
Jerusalém - Dezenas de milhares de muçulmanos oraram ontem na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém sob forte vigilância da polícia de Israel, enquanto três palestinos morreram numa incursão do exército israelense no norte da Faixa de Gaza, onde foi anunciada uma redução dos efetivos militares.
A polícia israelense mobilizou um grande número agentes em Jerusalém Leste para prevenir eventuais distúrbios durante a prece da primeira sexta-feira do Ramadã na Esplanada das Mesquitas, informou o porta-voz da instituição. Centenas de policiais e guardas de fronteira foram mobilizados em Jerusalém, principalmente nas ruas que levam à Esplanada e suas entradas, para verificar a identidade das pessoas que chegavam.
Segundo a rádio israelense, entre 70 mil e 100 mil fiéis participaram na prece na Esplanada, sagrada também para os judeus, que a chamam Morro do Templo. Os muçulmanos puderam entrar sem dificuldades na Esplanada apesar de uma polêmica entre os palestinos e Israel, que ameaçou autorizar a entrada de apenas 50 mil pessoas alegando risco de desabamento numa sala de oração subterrânea.
Muitos fiéis que foram orar na Esplanada são palestinos de Jerusalém Leste ou árabes-israelenses, enquanto os palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza estão proibidos de entrar em Jerusalém Leste sem permissão israelense. Na manhã de ontem ocorreram confrontos perto de um posto de controle militar em Belém (Cisjordânia), após os soldados terem impedido que um grupo de fiéis saísse da cidade para Jerusalém.
Os palestinos atiraram pedras nos soldados, que responderam lançando granadas de gás lacrimogêneo e dispararam balas de borracha, ferindo no rosto um idoso palestino, segundo fontes da segurança. No norte da Faixa de Gaza, três ativistas palestinos morreram num ataque israelense num momento em que o Estado hebreu afirma que quer diminuir a grande operação, chamada ''Dias de Penitência'', que desde o dia 28 de setembro realiza para acabar com os disparos de foguetes palestinos contra seu território.
Os três militantes dois das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa e um do Hamas (Movimento de Resistência Islâmica) faleceram num ataque de helicóptero contra o campo de refugiados de Jabaliya. Com este caso, subiu para 127 o número de palestinos mortos na Faixa de Gaza desde que esta ofensiva no norte deste território.
O vice-ministro da Defesa israelense, Zeev Boim, ao avaliar que a operação tinha atingido seus objetivos, confirmou informações da imprensa assinalando uma iminente redução dos efetivos do exército no norte da Faixa de Gaza. ''Não foi decidido o fim da operação. Desde o começo foi lembrado que a operação seria flexível'', declarou Boim, citado pela rádio.
''A operação conseguiu seus objetivos e os disparos de foguetes Qasam diminuíram consideravelmente'', acrescentou o vice-ministro, ao se referir aos artefatos fabricados pelo braço militar do Hamas.
Boim sustentou que a decisão de reduzir as tropas na zona não se deve a uma pressão americana, mas o fato de Israel ter em conta o começo do mês do Ramadã. No início da noite de quinta-feira, a rádio israelense anunciou que o exército pretendia reduzir o número de militares no norte da Faixa de Gaza.


