Ramadã começa tenso em Israel
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sábado, 03 de janeiro de 1998
France Presse e Reuter Jerusalém 
Mais de 100.000 palestinos muçulmanos participaram nas orações da primeira sexta-feira do Ramadã, na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, sob vigilância permanente das forças israelenses. Em sua pregação de ontem, o imã xeque Hamed Bitaoui advertiu a Israel contra qualquer ataque que os extremistas judeus possam lançar contra os lugares santos islâmicos em Jerusalém. Existem pessoas dentro do povo e governo israelenses que querem destruir a Mesquita Al Aqsa, mas eu os advirto: a destruição de Al Aqsa provocará a destruição de Israel, declarou o xeque Bitaoui.
Na semana passada, Israel deteve dois judeus extremistas acusados de terem pretendido jogar uma cabeça de porco na Esplanada, um dos lugares mais sagrados do Islã. Um tribunal israelense ordenou ontem que se prolonguem por mais oito dias a prisão dos dois.
A polícia israelense patrulha de maneira intensiva o Leste de Jerusalém por ocasião das orações, e autorizou a vários milhares de palestinos a ir à Cisjordânia. No entanto, muitos deles foram bloqueados nos postos instalados nas estradas pelo Exército.
Centenas de policiais foram posicionados nos arredores da Esplanada para vistoriar os fiéis. Segundo os serviços de segurança israelenses, os ativistas islâmicos estariam ainda mais motivados a cometer ataques suicidas durante o mês sagrado do Ramadã.
Gabinete em criseEnquanto isso, está instalada a mais séria crise desde junho de 96, quando o premier Benjamin Netanyahu assumiu o governo. Ontem, a exemplo do chanceler Davi Levy, o ministro das Finanças, Jaakov Neeman também ameaçou ontem renunciar ao cargo. Levy exige mudanças no orçamento deste ano para favorecer setores mais pobres da sociedade, e Netanyahu, para mantê-lo no cargo, adiou a votação do projeto. Neeman, por sua vez, recusa-se a fazer alterações.
O impasse levou o premier a pedir aos EUA que suspendam a viagem a Israel de seu representante, Dennis Ross, encarregado de tirar o processo de paz entre israelenses e palestinos do estancamento. A viagem estava prevista para segunda-feira.
Funcionários citados pela agência alemã DPA, disseram que Netanyahu tentará contornar a crise para manter seu gabinete intacto, mas, se tiver de decidir entre Levy e Neeman, optará pelo chanceler.


