Ramadã começa em clima de incerteza
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de dezembro de 1998
France Presse 
O Iraque começou ontem o mês de jejum muçulmano do Ramadã sem saber se continuarão os ataques americanos e britânicos, que castigam Bagdá por três noites consecutivas. A última onda de ataques, extremamente violenta, terminou meia hora antes do chamado dos almuédãos das mesquitas de Bagdá para a oração do amanhecer, que marca o início do jejum.
Dois ataques sacudiram a capital iraquiana antes do amanhecer e, em particular, um bairro residencial e administrativo do centro de Bagdá.
Entre 400 e 500 mísseis cruzeiro foram lançados desde o início da operação Raposa do Deserto, muitos mais que os 288 lançados durante toda a guerra do Golfo em 1991, informou ontem o chefe de estado-maior geral americano, general Henry Shelton.
Washington e Londres ainda não informaram se continuarão seus ataques durante o mês santo muçulmano, depois de 73 mortos e mais de 70 feridos civis, segundo o último balanço provisório informado ontem por um deputado iraquiano, Sultan Al Shawi.
O Pentágono informou que estava avaliando os danos causados por três noites de ataques aéreos para determinar se todos os objetivos haviam sido atingidos.
O fim dos ataques aéreos não foi decidido, afirmou o porta-voz, Kenneth Bacon.
O secretário americano de Defesa, por sua vez, garantiu que os Estados Unidos eram sensíveis ao Ramadã, embora pudessem atacar novamente em função dos resultados.
Não fixaremos limites artificiais às operações militares. Estas são de primeira importância de momento e conseguiremos praticando-as, e esperamos que sejam eficazes, disse Cohen.
Segundo as primeiras informações do Pentágono, já foram atingidos 75 alvos, entre cinco campos de aviação e 27 locais de defesa antiaérea, bem como TV, rádio, algumas casernas da Guarda republicana e unidades de elite do regime de Saddam Hussein.
O Iraque reconheceu que algumas instalações militares, palácios presidenciais e o Ministério da Defesa haviam sido atingidos, mas garantiu que os ataques apontavam da mesma forma as instalações civis, como hospitais, lojas de alimentos, a Universidade de Bagdá, e o museu de História Natural.
Bassorah, a segunda cidade do Iraque, 560 km ao sul dr Bagdá, está na mira há três dias dos aviões e mísseis anglo-americanos, informou ontem o jornal oficial iraquiano, Al-Jumhuriya, revelando pela primeira vez os ataques que ocorreram naquela província.
Balanço As Forças armadas norte-americanas e britânicas trilham o caminho certo para conseguir seus objetivos militares no Iraque, afirmou, ontem o primeiro-ministro britânico Tony Blair, depois da terceira noite consecutiva de ataques.
Ouvido pela rede de televisão Sky News, Blair não disse quando terminarão os ataques, limitando-se a destacar que a coalizão anglo-norte-americana é muito sensível ao mês de Ramadã, que começou na madrugada de ontem.
Os ataques aéreos americano-britânicos causaram danos substanciais à capacidade do Iraque de fabricar armas de destruição maciça, afirmou, por seu turno, o ministro britânico da Defesa, George Robertson.


