Os bombardeios norte-americanos prosseguiram ontem no Afeganistão, apesar do início do Ramadã na maioria dos países muçulmanos, informou o Pentágono.
''Hoje fizemos bombardeios'', indicou um porta-voz do ministério americano de defesa, Richard McGraw. ''Não há mudança em nossas operações por causa do Ramadã'', acrescentou.
Vários dirigentes de países muçulmanos, entre eles o presidente paquistanês Pervez Musharraf, tinham pedido uma suspensão desses bombardeios quando o mundo muçulmano começasse, ontem, o mês de jejum do Ramadã.
Durante esse mês sagrado, os muçulmanos devem, desde a saída até o
pôr-do-sol, se abster de beber, comer, fumar e manter relações sexuais.
KandaharAviões norte-americanos voltaram a bombardear ontem, Kandahar, a cidade-fortaleza dos talebans no sul do Afeganistão, e mataram pelo menos 11 civis, informou a agência Afghan Islamic Press (AIP). Os bombardeios se concentraram na parte leste da cidade, e o alvo foi um edifício do Ministério de Assuntos Exteriores, que ficou parcialmente destruído junto com uma mesquita.
Segundo a AIP, os bombardeios foram contínuos durante toda a noite até a madrugada de ontem, embora as informações não tenham sido confirmadas por fontes independentes.
FuturoA ONU espera uma resposta da Aliança do Norte que ocupa Cabul para fixar a data de uma conferência, enquanto que os representantes de 30 países envolvidos na guerra no Afeganistão se reuniram ontem, nas Nações Unidas, para apoiar os esforços de formação de um governo multiétnico em Cabul. A conferência é o primeiro passo de um plano de cinco pontos delineado pelo representante especial da ONU para o Afeganistão, Lakhdar Brahimi.
''Estamos conscientes da necessidade de atuar rapidamente'', disse Brahimi aos jornalistas. Ele explicou que vários países ofereceram-se para sediar a conferência mas acrescentou a necessidade de respostas e mostras de que os afegãos estejam prontos para se reunir.
Brahimi participa da reunião do chamado grupo dos 21, com outros países e instituições, que se realiza pela primeira vez em três anos. O objetivo é ''conseguir que o maior número de países apóie os esforços de Brahimi para estabelecer um governo de ampla base'' em Cabul.
A Aliança do Norte, uma coalizão de minorias étnicas dominada pelos tadjiques, tomou o controle de Cabul, a capital afegã, mas a comunidade internacional quer instalar uma autoridade provisória que represente todas as etnias afegãs, em particular a pashtun maioria no país.

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