Gleneagles (Grã-Bretanha) - Brasil, China, Índia, México e África do Sul, os cinco maiores países em desenvolvimento, falarão na Cúpula do G-8 principalmente sobre suas preocupações com o meio ambiente e o comércio. Os presidentes destes cinco países, entre eles Luiz Inácio Lula da Silva, se reunirão separadamente hoje antes do encontro e apresentarão um relatório comum.
A cúpula do G-8 começou ontem com um jantar oferecido pela rainha Elizabeth II aos chefes de Estado e de governo dos oito países mais industrializados do planeta (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Japão, Itália e Rússia).
A participação das cinco economias em desenvolvimento é considerada básica para o futuro da Rodada comercial de Doha com sessão decisiva marcada para dezembro em Hong Kong durante a qual será defendida a liquidação dos desequilíbrios da economia mundial, e os ajustes das taxas de juros, segundo especialistas.
Porém, uma das maiores preocupações dos líderes deste grupo é o meio ambiente e, neste sentido, pedirão a seus colegas das oito nações mais industrializadas do mundo que liderem os esforços para conter a emissão de gases causadores do efeito-estufa.
Além disso, reivindicarão a elaboração de um modelo de cooperação internacional que leve em conta as perspectivas e necessidades dos países desenvolvidos. Este modelo de cooperação deverá assegurar o acesso dos países em desenvolvimento às tecnologias economicamente viáveis e com impacto positivo nas mudanças climáticas, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Os líderes destas cinco nações também querem ressaltar a importância do multilateralismo e a distribuição equitativa de renda no processo de globalização.
Também reforçarão o papel da cooperação Sul-Sul e a relevância das iniciativas como ''Ação contra a Fome e a Pobreza'' do presidente Lula, ou a intensificação da cooperação Norte-Sul.
Os líderes defenderão, ainda, a mobilização da comunidade internacional para obter mais recursos financeiros a favor do desenvolvimento e eliminem as barreiras ao comércio internacional, especialmente para os produtos agrícolas.
Segundo um estudo recente do Centro de Investigação Global Goldman Sachs, nos próximos 40 anos, Brasil, Rússia, Índia e China poderão representar juntos uma força econômica em dólares muito superior à do G-6 (França, Alemanha, Itália, Japão, Grã-Bretanha e Estados Unidos). Entre os membros do atual G-8, apenas Estados Unidos e Japão poderiam permanecer entre as seis maiores economias em 2050.

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