O sequestro, em Gaza, de dois jornalistas da Newsweek – um correspondente norte-americano e um fotógrago britânico – foi uma advertência por parte da Intifada palestina aos governos de Washington e Londres ‘‘para que cessem seu apoio ao governo de Ariel Sharon’’. A informação consta de um documento divulgado ontem pelos Falcões de al-Fath, depois da liberação dos dois jornalistas.
A autenticidade do documento foi questionada pelos serviços de segurança palestinos, que sustentam que um grupo armado no sul de Gaza assumiu, arbitrariamente, a indentidade dos Falcões de al-Fatah.
Por seu lado, a al-Fatah, principal facção da OLP, divulgou um comunicado em que condena o sequestro e garante que o responsável, um membro da organização que teria agido por conta própria, será punido.
No documento dos ‘‘Falcões’’, os sequestradores dos jornalistas se declararam indignados com o apoio dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha ‘‘ao governo assassino de Sharon’’.
Ele acrescentaram que o americano e o britânico ‘‘foram liberados sem condições’’.
Entretanto, eles advertiram que se não houver mudança na política dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, ‘‘os cidadãos desses países correm o risco de ser sequestrados ou atacados em qualquer parte da Palestina ou do mundo árabe’’.
Apelo de ArafatUm aflito presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) Yasser Arafat pediu, ontem, em Moscou, a adoção de ‘‘iniciativas conjuntas’’ da comunidade internacional para dar nova força ao processo de paz no Oriente Médio.
Por sua vez, um preocupado Vladimir Putin falou sobre ‘‘uma situação fora de controle’’ na região, mas, por enquanto, não anunciou ações diplomáticas autônomas em grande escala. O líder palestino foi recebido pelo presidente russo ao fim de uma jornada de conversações no Kremlin.
Nessas negociações, as propostas foram mais numerosas que os compromissos concretos, mas foi confirmada a vontade de Moscou de adotar uma nova postura em sua atuação como co-responsável pelas negociações palestino-israelenses.
O pano de fundo desta ambição é a recuperação das tradicionais relações de amizade com o mundo árabe, além da consolidação de novas relações com Israel, depois da derrocada da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Para enfatizar a intenção, Putin conversou por telefone com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon.

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