Bagdá - A guerrilha lançou um ataque ontem contra dois hotéis em que se hospedam estrangeiros em Bagdá, um dia depois do comparecimento do ex-ditador Saddam Hussein e de onze ex-dirigentes de seu regime ante um juiz que lhes anunciou as acusações que pesam contra eles.
Vários foguetes foram disparados contra os hotéis Sheraton e Palestine, causando ferimentos em três pessoas, de acordo com a guarda iraquiana. Os atacantes se aproximaram em um veículo do perímetro altamente protegido dos dois hotéis e começaram a disparar foguetes contra eles, segundo uma fonte militar americana.
A fachada do Sheraton ficou marcada pelo impacto do projétil. Segundo a fonte militar, entre os feridos não há nenhum guarda da segurança iraquiana ou membro das forças da coalizão, enquanto que o funcionário de uma empresa de segurança afirmou que os feridos são civis iraquianos.
Eles teriam sido atingidos pelos estilhaços da queda dos projéteis em um terceiro hotel, o Bagdá. O militar americano precisou que os terroristas estavam disparando os foguetes caseiros quando o restante de sua munição explodiu dentro de seu veículo.
Por outro lado, o comparecimento de Saddam ante um juiz iraquiano continuava causando reações ambivalentes entre a população iraquiana. No bairro xiita de Kazimiya, o xeque Raed al-Kadhimi afirmou que esse processo contra Saddam é supérfluo, e que os advogados de Bagdá devem se negar a defender o ex-ditador.
''Quem tentar defender Saddam não escapará do castigo que lhe infligirá o povo'', afirmou o religioso em sua oração desta sexta-feira.
Na periferia carente de Sadr City, outro religioso, xeque Awas Khafaji, ligado ao líder radical xiita Moqtada al-Sadr, também pediu uma rápida execução para Saddam. Os inúmeros fiéis presentes durante a oração reagiram positivamente a este pedido.
Já centenas de partidários do ex-presidente se manifestaram pacificamente na sunita Samarra, norte de Bagdá, exibindo retratos de Saddam. ''Todo o Iraque proclama que Saddam é a glória do país'', gritavam, enquanto muitos disparavam para o ar.
''O processo de anteontem foi ridículo. Quem está julgando o presidente e governando o país foram nomeados pelas forças da coalizão, por isso não têm o direito de julgar Saddam Hussein, que é o único com legitimidade no país'', declarou Mohammad Jassem, um dos manifestantes.

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