Jorge Quiroga, o sucessor do presidente da Bolívia, Hugo Banzer, é, há quase duas décadas, um discípulo leal do mandatário e se destaca por um perfil de tecnocrata e político liberal, com passagem por universidades americanas. Aos 41 anos de idade, Quiroga herdará o comando da nação hoje. Lúcido, carismático e nascido na cidade central de Cochabamba, Quiroga assumirá por um ano a presidência, até agosto de 2002.
Graduado na A&M College Station da Universidade do Texas em engenharia industrial e na Universidade de Saint Edward#s, também no Texas, em administração de empresas, ‘‘Tuto’’ (como é conhecido no país) vê diante de si o desafio de reverter o quadro de recessão econômica.
Vice-presidente aos 37 anos, ministro das Finanças aos 30, durante a administração do social-democrata Jaime Paz Zamora (1989-93), Quiroga é, no plano ideológico, um liberal quimicamente puro e um adversário declarado do tipo de Estado que prevaleceu na Bolívia desde a revolução popular de 1952 até 1985, no qual as portas foram abertas para o modelo de livre mercado.
Casado com a americana Virginia Gillum e pai de quatro filhos, Quiroga é um defensor da modernidade e da globalização econômica. Durante sua dupla gestão como vice-presidente da Bolívia e presidente do Congresso, deu andamento a vários projetos orientados a modernizar o Estado e promover reformas judiciais, sociais e econômicas.
Desde o início de 2000, foi ostensivamente afastado do presidente por um ambiente formado por uma poderosa ‘‘velha guarda’’ da conservadora Ação Democrática Nacionalista, partido fundado por Banzer em 1979, no qual se destacou como um dos seus melhores integrantes.
O jovem engenheiro conduzirá a nação com plenos poderes constitucionais, durante um ano marcado pelas eleições de 2002.
Renúncia O presidente da Bolívia, Hugo Banzer, que sofre de câncer pulmonar, renunciou a seu cargo ante o Congresso nacional, em uma cerimônia realizada em Sucre, a 570 km de La paz. Em uma mensagem lida na cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos, Banzer se demitiu alegando razões de saúde, um ano antes do término de seu mandato constitucional.
‘‘Deus abençoe a todos, senhores parlamentares, assim como eu espero Sua misericórdia e Sua sentença sábia e definitiva sobre todas as ações que realizei nesta vida. A Ele me entrego com f钒, disse Banzer.

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