Questionada a descoberta da penicilina
France Presse
De San José
Médicos do estatal Hospital San Juan de Dios de San José divulgaram ontem manuscritos que provariam que o descobridor da penicilina foi o cientista costa-riquenho Clodomiro Picado (1887-1944) e não o britânico Alexander Fleming.
A publicação dos manuscritos, encontrados nos laboratórios do hospital onde Clodomiro Picado fez suas pesquisas, procura corrigir uma injustiça científica, pois o verdadeiro descobridor da penicilina foi o cientista costa-riquenho e não Fleming, como tem sido sustentado historicamente, afirmou o diretor do hospital, Edgar Cabezas.
Os documentos, a maioria escritos em francês e dos quais a imprensa recebeu uma cópia, manuscritos e com a letra de Clorito Picado, para os cientistas costa-riquenhos são o resultado das experiências de Picado entre 1915 e 1927, antes que Fleming patenteasse a penicilina, em 1929.
Os escritos se referem a ação inibitória de fungos do gênero Penicillium sp, no crescimento de estafilococos e estreptococos, bactérias causadoras de uma série de infecções.
Picado apresentou em 1927 um informe sobre suas descobertas na sociedade de Biologia de Paris, que não lhe deu maior importância e arquivou o trabalho, e dois anos mais tarde Fleming apresentou seus estudos na mesma sociedade, conseguindo posteriormente que fosse reconhecido como o descobridor da penicilina.
Segundo depoimentos apresentados no ato, em 1930 Picado tratava com sucesso seus pacientes com a vacina que tinha desoberto. Cabezas chamou de injustiça científica o fato de não se reconhecer Clorito Picado como o descobridor da penicilina, mas disse não reconhecer as razões por que ele não patenteou a descoberta.
Clorito Picado nasceu no dia 17 de abril de 1887 em San Marcos, na Nicarágua, quando seus pais visitavam esse país a trabalho. Durante toda sua vida, publicou 115 trabalhos científicos, como livros e monografias, em revistas internacionais, principalmente da França.





