Quem é o terrorista Osama Bin Laden
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de setembro de 2001
Laura Berdejo<br> France Presse<br> De Paris 
Osama Bin Laden, principal suspeito dos atentados contra os Estados Unidos no último dia 11 de setembro, mantém suspense no planeta, cujo destino depende do futuro deste homem.
Osama bin Mohamad bin Awad bin Laden, islamista radical, nasceu em Riad em 1957. Filho de um humilde estivador de origem iemenita que conseguiu se transformar no maior contratante de obras da Arábia Saudita, Osama estudou nos melhores colégios e institutos do mundo árabe.
Em 1979, quando terminou seus estudos na Universidade de Jidá, passou a fazer parte do grupo de engenheiros da empresa familiar, mas sua trajetória profissional foi interrompida quando o Exército Vermelho ocupou o Afeganistão. Osama abandonou a empresa para se integrar ao movimento armado de combate aos militares soviéticos.
De acordo com suas próprias declarações, sua visão do mundo se modificou por influência dos acontecimentos do final dos anos 70: a paz entre Egito e Israel, a revolução islâmica no Irã e a invasão do Afeganistão pela União Soviética. ''Isso me pegou de surpresa'', declarou certa vez ao diário árabe Al Qods.
Diante da invasão soviética no Afeganistão, Bin Laden viajou pelo país armando e financiando viagens de voluntários árabes e lutou contra o invasor soviético com a ajuda da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA).
As relações dos serviços de inteligência norte-americanos com as facções guerrilheiras passaram pelo filtro dos associados islâmicos. Através de sua organização Al Qaida (a base) Osama bin Laden facilitou a chegada de combatentes e de dinheiro americano à resistência afegã.
Seus contatos com os serviços secretos de Washington e Riad o transformaram no tesouro da operação no Afeganistão. Ou seja, o multimilionário de origem saudita financiou e apadrinhou os líderes dos movimentos de guerrilhas.
Estima-se que Al Qaida, organização fundada em 1989, conta com cerca de 4 mil voluntários árabes e é financiada pelos milhões de Bin Laden.
Em 1991, quando começou a Guerra do Golfo, Bin Laden declarou a jihad (guerra santa) aos Estados Unidos, alegando que estes haviam ocupado sua pátria, a Arábia Saudita.
Em 1992, quando voltou à Arábia Saudita, ficou sem seu passaporte por ter sido acusado de apoiar grupos islâmicos no Egito e na Argélia. Neste mesmo ano Al Qaida fez as pazes com os movimentos radicais xiitas e fixou seus objetivos na luta contra os Estados Unidos e seus aliados.
Quando foi proibido de viajar, instalou-se no Sudão, onde os serviços da inteligência norte-americana suspeitam que financiava o treinamento de terroristas. Perdeu a nacionalidade saudita em 1994 ao publicar as ''fatwas'', textos religiosos que denunciavam a família real da Arábia Saudita e os Estados Unidos.
Sua fortuna pessoal, calculada em mais de 300 milhões de dólares, tem sido utilizada para construção de campos de treinamento para terroristas no Sudão, Filipinas, Afeganistão e, segundo o Departamento de Estado norte-americano, para enviar tropas de guerrilheiros fundamentalistas ao norte da África, à Chechênia, Tadjiquistão e inclusive Bósnia.
Em reportagem transmitida pelo canal de televisão Al Jazira, exortava seus militantes a proclamarem a jihad. Em 1998, em uma entrevista ao canal ABC, disse que odeia os Estados Unidos porque mantêm os ''regimes favoráveis aos ocidentais'' no Oriente Médio.
Suas declarações são bem recebidas entre os jovens de países islâmicos, principalmente quando são contra os norte-americanos e israelenses referentes à onda de violência nos territórios palestinos.
Agora é procurado pela Justiça dos Estados Unidos e é acusado de estar por trás dos ataques contra as embaixadas norte-americanas em Nairobi e Dar es Salaam, em agosto de 1998. Além disso, é suspeito de ter conspirado, em outubro de 2000, o ataque com bombas contra o navio norte-americano ''USS Cole'' no Iêmen.
Décimo segundo filho entre 58 irmãos, Bin Laden, de 44 anos, tem três mulheres e, no mínimo, 20 filhos. Sua última aparição pública foi em fevereiro, no casamento de um de seus filhos, em Kandahar, no sul do Afeganistão.
Tem sua residência principal próxima à casa do chefe supremo dos talebans, o mulá Mohammad Omar, em Kandahar, mas está se mudando aos poucos com medo de ser atingido pelos disparos dos serviços secretos ocidentais.


