Quedas de aviões traumatizam
Nos últimos 20 anos, jamais havia morrido tanta gente em consequência de acidentes de aviação como em 1996. Só computando os mais graves, o total de vítimas fatais chegou perto de 1.900. No Brasil, serão para sempre lembrados os ocupantes de um Learjet que caiu no começo do ano e o desastre inimaginável com uma aeronave de grande porte sobre a cidade de São Paulo, em outubro.
Comoção nacional O acidente com o Learjet PT-LSD, ocorrido no começo de março, envolvendo os cinco integrantes do grupo Mamonas Assassinas comoveu o País. Com uma carreira curta e fulgurante, o conjunto fez enorme sucesso para um público que se pode definir como entre os 4 e os 84 anos de idade. O avião os trazia de um show em Brasília e chocou-se contra a Serra da Cantareira, em São Paulo, por erro dos pilotos e da torre de controle do aeroporto de Guarulhos.
No Zaire Logo no início de janeiro ocorria o primeiro dos grandes acidentes do ano, quando um Antonov-32 russo, de carga, caiu sobre um mercado cheio de gente no centro de Kinshasa, capital do Zaire. Pelo menos 350 pessoas morreram no acidente, a quase totalidade atingida pelo aparelho em terra.
A sequência continuou em fevereiro: no dia 4, um avião de carga colombiano caiu em um bairro próximo do aeroporto de Assunção e matou 24 pessoas, vinte delas jovens que jogavam futebol num campo ao lado da igreja local. Três dias depois, um Boeing 757 da companhia charter Alas Nacionales, que partia da República Dominicana para a Alemanha, conduzindo turistas, caiu no mar do Caribe: 189 pessoas a bordo, nenhum sobrevivente. No final do mês, mais 123 mortos no acidente com um Boeing 737 da companhia aérea peruana Fawcett que caiu pouco antes da aterrissagem em Arequipa (Sul), terceira cidade do país. E no Sudão, um avião militar caiu em Cartum, matando 91 pessoas.
Empresários Em março, um bimotor Cheyenne caiu perto do aeroporto de Foz do Iguaçu. Morreram os empresários José Carlos Mufffato, Itagiba Fortunato e Sérgio Gasparetto, além do piloto Carlos Alberto Dollo. No Maranhão, a queda de um Seneca causou a morte de três deputados estaduais.
Em maio, um DC-9 da ValuJet Airlines caiu no pântano de Everglades, próximo a Miami, matando seus 110 ocupantes. E em julho, pouco antes de se iniciarem as Olimpíadas, um Jumbo da TWA que fazia a linha Nova York-Paris explodiu minutos depois de decolar, matando 230 pessoas.
Outubro trágico O acidente com um Fokker da TAM que havia decolado de Congonhas com destino ao Rio na manhã ensolarada do dia 31 de outubro, foi o segundo mais trágico ocorrido no Brasil, depois da queda, na década passada, de um Boeing 727 em Fortaleza. Morreram mais de 100 pessoas, entre passageiros, tripulantes e moradores do bairro em que o Fokker caiu, ao lado do aeroporto de Congonhas. Entre as vítimas, a jovem Flávia Staut, de Londrina.
Logo no início do mês, um Boeing 757-200, da Aeroperu, caiu no Pacífico, ao norte de Lima, causando a morte das 70 pessoas que estavam a bordo. E no dia 22, um Boeing 707, da empresa norte-americana Millon Air, pegou fogo 10 minutos após a decolagem e caiu perto do centro da localidade de Dolorosa, no Equador. Os traês tripulantes do aparelho morreram com mais 27 pessoas em terra. Oitenta ficaram feridas.





