Havana - A queda de Fidel Castro, 78 anos, que fraturou o joelho e sofreu fissuras no braço, voltou a pôr em destaque as especulações sobre a fragilidade de um regime que gira em torno de sua personalidade. ''São lesões significativas para um homem dessa idade, mas servem também de alerta para a questão da sucessão, um assunto pendente: a morte, nessa idade, já não é uma abstração'', considerou um diplomata ocidental ao comentar o caso.
O poder cubano se apóia há 45 anos integralmente, na pessoa do presidente, o que o transforma na fortaleza, mas também na fragilidade do regime que dirige com mão férrea, tanto na diplomacia quanto na administração cotidiana de assuntos comuns, dos furacões aos blecautes que afetam severamente a população e a economia do país.
''Os revolucionários não se aposentam'', costuma dizer o chefe de Estado, ditador para alguns, campeão do ''terceiro mundo'' e do ''antiimperialismo'' para outros. Mas os comentários são inúmeros em relação à longevidade de um regime comunista que continua de pé 15 anos depois da queda do Muro de Berlim.
Com a perspectiva de uma perna engessada e, seguramente, também o braço, o ex-líder guerrilheiro afirmou ante as câmaras, depois da queda, que não pensa em ceder seu lugar. ''Como vocês podem ver, posso falar, e ainda que me engessem, posso continuar com meu trabalho'', sentenciou Castro, sentado numa cadeira logo depois do incidente.
O chefe de Estado pareceu não deixar espaço algum para o número dois do regime, o próprio irmão mais novo e sucessor oficial, Raúl. Com 74 anos, herdeiro designado e segundo secretário do Partido Comunista Cubano (PCC), Raúl Castro dirige o poderoso Ministério das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), cada vez mais influente na economia da ilha.
Mais hedonista que o irmão mais velho, comunista, guerrilheiro que esteve a seu lado e que também ajudou a fundar o regime em 1959, Raúl Castro gera ceticismo entre a maioria dos diplomatas e observadores, que duvidam de sua capacidade para assumir uma herança tão pesada, apesar de sua reconhecida habilidade política.
Submetidos a duras restrições há 15 anos, regularmente privados de eletricidade durante várias horas diárias, os cubanos se debatem entre a exasperação e o cansaço em relação a suas condições de vida e o temor do esvaziamento político que necessariamente provocaria a morte de Castro.

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