Associated Press
A gôndola de um teleférico da estação de esqui de Saint-Etienne-en-Dévoluy, nos Alpes franceses, despencou por volta das 7h30 (horário local) desta quinta-feira, matando 20 trabalhadores que se dirigiam para o Observatório Espacial Pico do Bure, a 2.709 metros de altura. Não houve sobreviventes. O acidente foi considerado o pior deste tipo ocorrido na história da França.
Os mortos, todos homens franceses, eram empregados da companhia de telecomunicações France Télécom, empresas prestadoras de serviço e do próprio observatório. Nenhum estrangeiro estava a bordo.
Autoridades locais informaram originalmente que 21 pessoas haviam morrido. Depois, o número de pessoas a bordo do teleférico foi corrigido para 20.
A tragédia consternou a população da pequena Saint-Etienne-en-Dévoluy, onde as vítimas eram conhecidas de quase todos. ‘‘A região inteira está chocada. O acidente é uma surpresa porque o bondinho é usado diariamente pelos trabalhadores para ir até o pico’’, disse o diretor do escritório de turismo local, Yvan Chaix.
O teleférico estava em operação desde 1989 e é utilizado somente para transportar trabalhadores e carga para o Pico do Bure. Os especialistas ainda não chegaram a uma conclusão sobre as causas do acidente, o segundo mais mortífero em teleféricos nos últimos 40 anos no mundo e o mais grave na França.
O bondinho desprendeu-se do cabo - que aparentemente se rompeu - a uma altura de 80 metros sobre uma área rochosa, quando estava distante 500 metros do ponto de partida, a localidade de Saint-Etienne-en-Dévoluy, perto da cidade de Gap. O percurso até o observatório é feito normalmente em 20 minutos e, na hora da tragédia, o veículo estava na metade do caminho.
Cerca de 100 membros da polícia militar e das equipes de socorro nos Alpes franceses foram levados de helicóptero ao local, de difícil acesso, para o resgate e identificação dos corpos.
‘‘As montanhas estão de luto hoje. Nada nos poderia ter levado a prever tal desastre’’, disse o prefeito de Saint-Etienne-en-Dévoluy, Jean-Marie Bernard. O chefe do teleférico local, Jean-Charles Simiand, informou que o sistema foi submetido a uma inspeção geral há cerca de um ano. ‘‘Estava em perfeita ordem para funcionar’’, disse.
O presidente francês Jacques Chirac e o primeiro-ministro Lionel Jospin expressaram sua consternação pela tragédia.
O observatório possui cinco telescópios de 15 metros de diâmetro e foi fundado em 1979 pelo Centro Nacional para a Investigação Científica, da França, e o instituto alemão Max Planck Gesellschaft. Em 1990, uniu-se ao Instituto Geográfico Espanhol. No local trabalham 25 cientistas, 75 engenheiros e 15 funcionários do setor administrativo.
O acidente mais mortífero com um teleférico nos últimos 40 anos ocorreu nos Alpes italianos, na região de Cavalase, em 1976 quando uma gôndola se espatifou contra as montanhas, matando 42 pessoas.
Em fevereiro de 1998, um jato da Força Aérea norte-americana procedente da base aérea de Aviano, Itália, cortou os cabos de um teleférico também em Cavalese, durante um vôo de treinamento. O acidente causou a morte de 20 pessoas. Os pilotos foram processados por um tribunal militar nos Estados Unidos e absolvidos.Todos os mortos trabalhavam no Observatório Espacial Pico do Bure, localizado a 2.709 metros de altura. Não houve sobreviventes
France PresseTragédia na montanhaO bondinho desprendeu-se do cabo a uma altura de 80 metros sobre uma área rochosa, quando estava distante 500 metros do ponto de partida. O percurso até o observatório é feito normalmente em 20 minutos e, na hora da tragédia, o veículo estava na metade do caminho. A foto ao lado foi tirada do observatório no Pico do Bure.

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