Queda de Concorde mata 113 na França
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terça-feira, 25 de julho de 2000
Associated Press De Gonesse, França 
Um avião Concorde da Air France caiu ontem sobre um pequeno hotel da cidadezinha de Gonesse, nas proximidades do Aeroporto Charles de Gaulle, ao norte de Paris. Não houve nenhum sobrevivente entre os cem passageiros e nove tripulantes. Em terra, outras quatro pessoas morreram ao serem atingidas pelos destroços. Além dos 113 mortos, a tragédia deixou ainda cinco feridos em terra que, segundo as autoridades francesas, não correm risco de morte.
O avião, que fazia o vôo AF4590, tinha sido fretado pela agência de turismo alemã Deilmann. O Concorde deixara Paris com destino a Nova York, onde os turistas a grande maioria de alemães embarcariam num cruzeiro pelo Caribe até o Equador. De acordo com a Air France, 97 passageiros eram alemães, dois eram dinamarqueses e um era norte-americano.
As duas caixas-pretas do avião Concorde foram encontradas e entregues ao juiz encarregado pelas investigações do acidente. As caixas-pretas estavam intactas e seriam necessárias entre 24 e 48 horas para que o conteúdo fosse decifrado.
O Concorde que caiu ontem fazia parte de dois aviões da frota da Air France que não tinham microfissuras nas asas, afirmou à imprensa o presidente-diretor-geral da empresa, Jean Cyril Spinetta. Desde fevereiro passado se acharam microfissuras nas asas de quatro dos seis Concorde da Air France, lembrou Spinetta. A empresa tinha assinalado segunda-feira que essas microfissuras não apresentavam nenhum perigo para o vôo desses aparelhos.
Testemunhas afirmaram que havia chamas em uma das turbinas do avião já no momento em que ele decolou, minutos antes da queda, do Aeroporto Charles de Gaulle. Entre as testemunhas estavam integrantes da comitiva do presidente francês, Jacques Chirac, cujo avião aterrissava no aeroporto ao mesmo tempo em que o Concorde decolava.
O avião estava em chamas ainda antes de ter decolado completamente, disse Sylvie Lucas, moradora de Paris que aguardava a chegada dos filhos no aeroporto.
A tragédia, a primeira envolvendo um Concorde, pode ter marcado o fim do projeto desenvolvido entre os anos 60 e 70 com o objetivo de transportar passageiros a velocidades superiores à do som.
Na véspera do acidente, a British Airways informara ter encontrado fissuras milimétricas nas asas de seus Concordes.
O presidente da Air France assegurou ontem que o acidente não teve nenhuma relação com as rachaduras. Mesmo assim, o ministro dos Transportes francês, Jean-Claude Gayssot, pediu à Air France que também suspendesse pelos próximos dias seus vôos com o modelo.
Em comunicados separados, a empresa britânica BAE Systems e a francesa Aerospatiale Matra integrantes do consórcio que construiu o Concorde anunciaram a formação de grupos de investigação.
A Rolls Royce, empresa britânica que fabrica os motores que equipam o modelo, também pôs-se à disposição para colaborar na investigação das causas do acidente.
No local da queda, onde centenas de bombeiros e policiais trabalhavam freneticamente para conter as chamas nos arredores do hotel, os destroços mal podiam ser identificados com os de um avião acidentado.
Olhei para cima e foi como ter visto uma bomba atômica, uma nuvem em forma de cogumelo que se levantava da terra, disse Antônio Ferreira, que encontra-se em seu jardim no momento da tragédia.
A tragédia ocorreu em uma área agrícola, recortada por rodovias. O hotel destruído é um anexo do hotel Hotelissimo, um duas estrelas com 40 quartos. A construção foi praticamente destruída pelo impacto do avião e pelo incêndio que se seguiu à batida.


