Londres - Um Boeing-777 da Malaysia Airlines, que seguia de Amsterdã para a capital malasiana, Kuala Lumpur, caiu nesta quinta-feira no leste da Ucrânia, a 50 km da fronteira com a Rússia, com 298 pessoas a bordo -283 passageiros e 15 tripulantes. Não havia relatos de sobreviventes até as 21 horas (de Brasília) de ontem. Pelo menos cem corpos já haviam sido encontrados.
O governo ucraniano afirmou ter sido um ato "terrorista" praticado por rebeldes pró-Rússia, que buscam se separar da Ucrânia. Anton Gerashchenko, assessor do ministro do Interior da Ucrânia, disse que a aeronave fora derrubada a 10 mil metros de altitude por um míssil Buk, lançado pelos separatistas a partir do solo.
O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, falou em "ato terrorista" e descartou que uma ação das forças de Kiev possa ter ligação com a tragédia. O líder separatista Aleksander Borodai, um dos chefes da chamada "República Popular de Donetsk", acusou as forças ucranianas de terem derrubado o avião. Os rebeldes argumentam que têm poder para atingir aviões no máximo a 3 mil metros de altitude - e não a 10 mil, como estava o Boeing.
Outros dois aviões, estes militares da Ucrânia, foram atingidos pelos rebeldes nos últimos dias, segundo as autoridades .
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, culpou a Ucrânia. "Esta tragédia não teria ocorrido se houvesse paz naquela terra. (...) E, certamente, o Estado em cujo território isso ocorreu tem responsabilidade."
Por telefone, Putin conversou sobre a queda com o presidente dos EUA, Barack Obama. O teor não foi divulgado. Segundo a rede de TV CNN e o jornal "New York Times", o governo americano tem evidências de que a aeronave foi realmente derrubada por um míssil que partiu do solo. Obama também falou por telefone com Poroshenko, que aceitou a oferta de receber especialistas americanos para investigar o acidente.
A queda do avião da Malaysia Airlines é a maior tragédia na fronteira entre Ucrânia e Rússia desde a eclosão da crise política e militar na região, no começo do ano. O estopim foi a remoção de um governo pró-russo na Ucrânia, em fevereiro. Desde então, Putin anexou a península ucraniana da Crimeia e estimulou movimentos pró-Rússia no leste do país. Até agora, a disputa era localizada e concentrada entre as forças militares ucranianas e os separatistas que defendem a independência do leste para se juntar à Rússia. A morte de quase 300 passageiros de um voo comercial, sem qualquer ligação com conflito, deve aumentar a tensão na área.

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