Queda de Airbus levou 3 minutos
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sexta-feira, 27 de maio de 2011
Folhapress 
São Paulo O avião do voo 447 da Air France bateu no oceano a uma velocidade de cerca de 200 km/h, segundo relatório preliminar divulgado ontem pelo BEA -órgão do governo francês responsável pela investigação do acidente. A tragédia ocorreu durante o trajeto Rio-Paris e causou a morte dos 228 ocupantes.
Segundo o relatório, entre 22h59 e 23h01 do dia 31 de maio, o comandante do avião, Marc Dubois, estava na cabine e ouviu a conversa entre dois copilotos, no qual um deles diz ''o pouco de turbulência que você acabou de ver [...] devemos encontrar outras mais à frente [...] estamos na camada, infelizmente não podemos subir muito mais agora porque a temperatura está diminuindo menos rapidamente do que o esperado''. Em seguida, Dubois deixou a cabine.
Às 23h06, o primeiro copiloto chamou os comissários de bordo disse que ''em dois minutos devemos atacar uma área mais agitada do que agora e devemos tomar cuidado lá'' e acrescenta ''eu lhe ligo logo que sairmos de lá''.
Dois minutos depois, o segundo copiloto propõe ''você pode, possivelmente, levar um pouco para a esquerda [...]''. A aeronave começou uma ligeira virada para a esquerda -o desvio em relação à rota inicial é de cerca de 12 graus. O nível de turbulências aumenta ligeiramente e a tripulação decide reduzir a velocidade.
A partir das 23h10, o piloto automático é desativado e o copiloto diz: ''Eu tenho os comandos''. O piloto automático permanecerá desligado até o final do voo.
A aeronave se inclina para a direita e o copiloto exerce uma ação à esquerda e de elevação do nariz. O alarme de ''stall'' (perda aerodinâmica) dispara duas vezes.
Neste momento, os dados registrados na caixa-preta mostram uma queda acentuada da velocidade mostrada do lado esquerdo do avião -de 275 nós (509 km/h) para 60 nós (111 km/h). Momentos depois, a mesma queda é mostrada nos instrumentos de bordo. A velocidade mostrada no lado direito do avião não foi registrada pela caixa-preta.
Às 23h10min16, o copiloto disse: ''Perdemos as velocidades'' e, em seguida, ''Alternate law [...]''. O ''alternate law'' indica que os limitadores do ângulo de ataque não estão disponíveis. O ângulo de ataque é o ângulo formado entre o vento relativo e o eixo da aeronave.
O ângulo de ataque aumenta gradualmente para acima de 10 graus e leva o Airbus a uma trajetória ascendente. O copiloto realiza ações para abaixar o nariz do avião e manobras de inclinação alternadas à direita e à esquerda.
A velocidade vertical, que tinha atingido 7.000 pés por minuto (128 km/h) cai para 700 (12,8 km/h). A inclinação varia entre 12 graus à direita e 10 graus à esquerda. A velocidade mostrada à esquerda aumentou brutalmente para 215 nós (398 km/h). A aeronave se encontra então a uma altitude de cerca de 37.500 pés (11.430 metros) e a inclinação do nariz é de cerca de 4 graus.
Apesar do problema parecer resolvido, o piloto chama o comandante à cabine diversas vezes a partir das 23h10. Logo depois, o alarme de ''stall'' soa novamente e uma nova queda acentuada começa. Até chegar ao nível do mar o avião leva 3 minutos e 30 segundos. Os dados da caixa-preta apontam que não houve falha nos motores e eles sempre responderam aos comandos da tripulação.
Durante a queda, o ângulo de ataque, quando registrado, esteve acima dos 35 graus. Os últimos valores registrados pela caixa-preta são de 16,2 graus de elevação do nariz do avião, inclinação de 5,3 graus à esquerda e velocidade vertical de 10.912 pés por minuto (200 km por hora).


