Pelo menos quatro pessoas morreram ontem na cidade paquistanesa de Karachi (capital econômica e industrial do Paquistão) durante violências de grupos islamitas contra eventuais ataques norte-americanos ao Afeganistão, que marcaram um dia de protestos. Estes são os primeiros mortos desde o início das manifestações antinorte-americanas no Paquistão, na semana passada, depois da decisão de Islamabad dar apoio total à iniciativa de Washington em guerrear contra o terrorismo mundial.
Por sua parte, a polícia anunciou que dez de seus agentes ficaram feridos por pedradas de manifestantes em dois setores da cidade.
Em PeshawarCerca de 15 mil pessoas, segundo a polícia, reuniram-se ontem em Peshawar, capital da Província da Fronteira do Noroeste, para manifestar apoio ao regime afegão do Taleban e a Osama bin Laden, e enfatizar o repudio às ameaças dos Estados Unidos e à posição tomada pelo governo paquistanês. Noutras cidades paquistanesas ocorreram manifestações menores e o comércio atendeu parcialmente à convocação dos fundamentalistas de uma greve de protesto.
''(Pervez) Musharraf vai ficar sozinho'', disse um dos oradores, referindo-se à decisão do presidente paquistanês de alinhar-se com os Estados Unidos, oferecendo o espaço aéreo, apoio logístico e inteligência para uma eventual operação militar contra o Afeganistão.
''Todos estamos com o Taleban e lutaremos contra eles'', continuou o líder religioso, falando em pashto, a língua do grupo étnico patan, que é maioria na província e também no Afeganistão. ''Este é um recado para Osama, para o mulá (Mohammad) Omar (chefe supremo do Taleban) e para o Taleban: somos todos paquistaneses, e estamos com vocês.'' Outro orador ocupou a tribuna improvisada, um caixote de madeira e um alto-falante: ''A América está fazendo terrorismo, e vamos combatê-lo''.

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