Tel Aviv - Dois dos israelenses atingidos no atentado suicida ocorrido ontem em Netanya (no norte de Tel Aviv, em Israel) não resistiram aos ferimentos e morreram, elevando o número de vítimas fatais para quatro pessoas, incluindo o palestino autor da explosão, segundo fontes médicas.
O atentado, praticado em um mercado coberto no centro da cidade, deixou mais 56 feridos, sendo 10 com gravidade, de acordo com o porta-voz da polícia de Israel Gil Kleiman. Ele afirma que o suicida, que vestia um uniforme militar israelense, acionou uma bomba recheada de pregos que trazia junto ao corpo, num momento de grande movimento no mercado.
Um interlocutor anônimo, que disse falar em nome do movimento radical islâmico Hamas, reivindicou o atentado em um telefonema à France Presse.
‘‘O movimento da resistência islâmica e seu braço militar (as brigadas Ezzedin) Al Qassam reivindicam a operação mártir de Netanya’’, declarou o autor do telefonema.
‘‘O Hamas anuncia ao nosso povo que a resistência continuará e, como já falamos anteriormente, nossa guerra é a da vitória ou a do mártir’’, advertiu.
Israel atribuiu imediatamente a responsabilidade do atentado à Autoridade Nacional Palestina (ANP), acusando a entidade de ‘‘não fazer nada contra o terrorismo’’.
O braço armado da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) também reivindicou ontem, através de alto-falantes em Nablus (Cisjordania), o atentado suicida de Netanya.
Pouco depois, a ANP condenou o atentado em um comunicado oficial, qualificando a ação de ‘‘operação terrorista’’.
O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, expressou sua ‘‘total condenação’’ aos atentados ‘‘contra todos os civis israelenses’’ em entrevista ontem à noite à televisão pública italiana RAI3 pouco depois do atentado.
Arafat condenou ao mesmo tempo ‘‘os ataques contra os civis palestinos, os campos de refugiados e as cidades’’.
O atentado de ontem é o primeiro desde que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, desautorizou uma invasão militar à Faixa de Gaza que tinha ordenado em resposta à morte de 15 israelenses em outro ataque similar realizado no dia 6 num salão de jogos em Rishon Letzion.
O último atentado suicida na cidade de Netania foi registrado no final de março, quando um fundamentalista palestino matou 29 israelenses e feriu mais de 200 ao detonar uma potente bomba dentro da sala de jantar de um hotel, durante a tradicional ceia da Páscoa judaica.

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