A origem das cartas contaminadas com antraz entregues em algumas cidades norte-americanas poderá ser quase impossível de determinar, uma vez que o cultivo da bactéria é simples e o micróbio foi muito estudado antes de 1990.
Segundo alguns investigadores, a estirpe detectada no ataque registado na Florida é um parente próximo de uma cultura largamente utilizada por cientistas envolvidos em trabalhos de investigação com antraz.
Segundo Martin Hugh Jones, um perito da Universidade estatal de Louisiana, a bactéria da Florida foi identificada como ''muito semelhante à Ames'', uma estirpe selecionada pelos militares para investigação relacionada com armas biológicas.
Jones explicou que ''Ames'' adquiriu o nome quando foi fornecida aos militares por um laboratório do Iowa em 1980, e o cientista acredita que a mesma estirpe, ou uma muito próxima desta, fora utilizada em investigação já em 1930.
Pode encontrar-se ainda em vários laboratórios, acrescentou.
Desde 1996 que a distribuição de culturas de antraz a laboratórios de investigação está fortemente controlada através de regulamentação federal.
No entanto, antes desta data, investigadores credenciados podiam encomendar antraz e as culturas da bactéria eram frequentemente trocadas entre diferentes laboratórios.
O investigador explicou que a estirpe, que ele acredita ter sido encontrada pela primeira vez em 1932, foi muitas vezes utilizada para testar vacinas.
Robert C. Liddington, biólogo no Instituto Burnham, em La Jolla, Califórnia, estuda o antraz há 10 anos, considerando que o micróbio ''pode continuar a crescer calmamente num ambiente de cultura''.
''Podia cultivar estes micróbios em casa, na banheira'', afirmou, indicando que não é difícil fazer com que eles formem esporos. Por esta razão não seria muito complicado para um terrorista adquirir esporos de antraz.
''Os esporos permanecem estáveis durante décadas'', disse.
Se o antraz for proveniente de uma cultura antiga, poderá ser impossível detectar a sua origem, já que o micróbio foi vastamente distribuído pelos laboratórios de investigação, acrescentou.
No entanto, apesar dos esporos de antraz serem fáceis de cultivar, consideram Liddington e outros peritos, transformá-los numa arma efetiva é bastante complicado, requerendo treino especial e informação.

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