Quarteto dá prazo para acordo de paz
São Paulo - O Quarteto para o Oriente Médio - formado por Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU - pediu a Israel e à liderança palestina que fechem um acordo de paz em um prazo de 24 meses, afirmou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon. O Quarteto acredita que estas conversações deveriam levar a um acordo negociado entre as partes dentro de 24 meses, declarou Ban, que na véspera afirmar que o único caminho para um acordo são negociações diretas entre as duas partes.
O ultimato chega em um momento complicado nos esforços de diálogo. Após acordarem com negociações indiretas, sob mediação dos Estados Unidos, os palestinos suspenderam as chamadas conversas de proximidade como reação ao anúncio de Israel de mais 1,6 mil casas em um bairro de Jerusalém Oriental -território cuja ocupação não foi reconhecida pela comunidade internacional e que os palestinos pleiteiam como capital de um futuro Estado.
Ban afirmou que o acordo acabaria com a ocupação que começou em 1967 e resultaria no surgimento de um Estado palestino independente, democrático e viável, que viva lado a lado e em paz e segurança com Israel e os outros vizinhos.
O Quarteto pediu ainda a Israel o congelamento de todas as atividades de colonização e se declarou profundamente preocupado com a situação em Gaza. O Quarteto urge ao governo de Israel o congelamento de qualquer atividade de assentamento, incluindo o crescimento natural [das colônias], o fim dos postos avançados edificados desde março de 2001 e a evitar as demolições e desalojamento em Jerusalém Oriental, afirmou o secretário-geral da ONU.
Pouco depois das críticas causadas pelo anúncio, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, declarou que a construção continuará em Jerusalém Oriental e que a medida não afeta os palestinos, que exigem o congelamento total das construções como pré-requisito para diálogo.
O congelamento durante dez meses da construção em Judeia-Samaria [nome bíblico da Cisjordânia] terminará na data prevista, acrescentou Netanyahu, em referência à concessão parcial que fez sobre a colonização judaica na Cisjordânia ocupada, anunciada no fim de novembro sob forte pressão dos Estados Unidos.
O quarteto condenou a decisão do governo de Israel de construir novos imóveis na parte árabe de Jerusalém e pediu para que as duas partes abstenham-se de ações provocadoras e deixem de lado a retórica incendiária.





