Na França, os reis carolíngios e capetianos, a Revolução de 1789, Napoleão I, as repúblicas, a restauração, Napoleão III, De Gaulle, todos foram guiados pela mesma estrela, a idéia de que a França é um Estado centralizado. Todos os impulsos devem vir da cúpula. O Estado é o senhor. Ora, o Estado não é uma entidade econômica. É uma entidade política.
A consequência é que, na França, o econômico deve obedecer cegamente ao político - o que explica a repugnância francesa, até mesmo a de uma certa parte da direita, pelo liberalismo.
Os ingleses conseguiram, em outro tempo, decolar graças ao livre comércio. De lá para cá, o império esfrangalhou-se, mas um reflexo permanece: eles são liberais. Ainda que os ingleses pertençam à Europa e Blair finja ser um bom europeu, eles farão tudo o que puderem para levar à União essa fórmula.
Quanto aos italianos, eles exercem um talento para o equilibrismo a fim de conciliar duas paixões incompatíveis: a solidariedade e o libertarismo antiestatal. Esse é o mosaico que os estrategistas de Bruxelas estão tentando atrelar à mesma carruagem. Mas, além dos inconscientes de cada povo, há também um outro, compartilhado por todos: o preço dos ódios imaginários que fizeram dos 2 mil anos da Europa um longo massacre.
Por isso, cada um desses países sabe que seu dever do próximo milênio será estancar os rios de sangue e substituir a Europa da guerra de sangue pela Europa da paz. Nesse caso, seria talvez necessário nomear alguns psicanalistas para pôr em ressonância, harmoniosamente, os ‘‘inconscientes’’ tão discordantes de Atenas e Paris, de Lisboa e Amsterdã.

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