Putin se reúne com o papa durante visita à Itália
Encontro ocorre em plena crise entre Moscou e o Ocidente
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de julho de 2019
Encontro ocorre em plena crise entre Moscou e o Ocidente
France Presse 
Cidade do Vaticano - O presidente russo Vladimir Putin, em plena crise com o Ocidente, iniciou nesta quinta-feira (4) uma visita a Roma com um encontro com o papa Francisco no Vaticano. Em seguida, o líder russo foi almoçar com o presidente italiano Sergio Mattarella, antes de encontrar o primeiro-ministro Giuseppe Conte, assim como os dois vice-premiês e líderes políticos do governo populista, Matteo Salvini (Liga, extrema direita) e Luigi di Maio (Movimento 5 Estrelas, antissistema).

Putin, famoso por sua falta de pontualidade, atrasou-se em uma hora para o terceiro encontro com Francisco, que durou 55 minutos. Eles discutiram, entre temas espinhosos, a crise da Venezuela. O papa ofereceu ao presidente russo uma medalha comemorativa da Primeira Guerra Mundial, bem como sua mensagem para a Jornada Mundial da Paz. Putin, por sua vez, ofereceu um livro e um filme sobre Michelangelo.
Em seu último encontro, em 2015, Francisco exortou o russo a "fazer um esforço significativo e sincero para alcançar a paz" na Ucrânia, sem chegar a condená-lo como os católicos ucranianos desejavam.
Um passo gigantesco foi dado em fevereiro de 2016 durante um encontro histórico em Cuba entre Francisco e o patriarca ortodoxo russo Kirill, o primeiro em mil anos entre os líderes das duas maiores denominações cristãs. Na quarta-feira (3), o porta-voz do Kremlin Yuri Uchakov indicou que Putin e o papa discutiriam "a preservação de locais sagrados cristãos na Síria", mas não uma possível viagem do papa à Rússia. Essa hipótese ainda desperta forte resistência dentro da Igreja ortodoxa russa, atravessada por uma corrente nacionalista e conservadora.
A Ucrânia, onde os rebeldes pró-russos do leste são em sua maioria ortodoxos ligados ao patriarcado de Moscou e lutam contra outros ortodoxos e gregos-católicos ligados a Roma, continua a ser um terreno delicado. Com as autoridades italianas, "as questões econômicas serão uma prioridade. Nosso comércio não está subindo ao nível de antes" das sanções impostas em 2014 (54 bilhões na época, 26,9 bilhões em 2018), ressaltou o conselheiro do Kremlin Yuri Ushakov.
Em uma entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal italiano “Corriere della Sera”, Putin ressaltou a resiliência dos laços econômicos bilaterais: 500 empresas italianas representadas na Rússia, 4,7 bilhões de dólares de investimentos italianos na Rússia desde o começo do ano e 2,7 bilhões de investimentos russos na Itália. A Rússia é atingida desde 2014 por sanções econômicas europeias e americanas sem precedentes devido à crise ucraniana.
Após sua visita ao Vaticano, o presidente russo se reuniu com Mattarella e Conte, e em seguida fizeram uma coletiva de imprensa. "A Itália está trabalhando para superar as sanções (europeias à Rússia), porque afetam negativamente a Rússia, a União Europeia e a Itália", afirmou Conte.


