Beslan - O presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou qualquer diálogo com os separatistas chechenos, a quem o governo culpa pelo recente sequestro da escola no sul do país que terminou com pelo menos 335 mortos. Em toda a Rússia, milhares de pessoas se manifestavam contra o terrorismo. ''Por que não se reunir com Osama bin Laden, convidá-lo para ir a Bruxelas ou à Casa Branca para negociar, perguntar o que ele quer para te deixar em paz?,'' disse Putin em um encontro com jornalistas estrangeiros na segunda-feira.
''Se vocês acham que é possível estabelecer limites em negociações com esses bastardos, então, porque vocês não falam com pessoas que são assassinos de crianças?,'' disse ele. Putin descartou qualquer investigação pública sobre a operação de resgate da escola.
Em todo o país, centenas de milhares de pessoas se manifestaram para denunciar o terrorismo. Em Moscou, perto do Kremlin, uma multidão tomou conta das ruas atendendo a uma convocação das autoridades russas para uma manifestação contra o terrorismo.
Os manifestantes se reuniram no Vassilievski Spusk, local utilizado para a realização de shows e mobilizações próximo ao Kremlin e à Praça Vermelha, e respeitaram um minuto de silêncio acompanhados pelas sinos da catedral de Basílio, o Bem-Aventurado. Os organizadores esperavam reunir cerca de 100 mil pessoas neste ato, mas nenhum número sobre a participação dos moscovitas foi divulgado oficialmente.
Entre bandeiras russas e cartazes condenando o terrorismo, os manifestantes lembraram as vítimas da tomada de reféns numa escola de Beslan, num evento que foi transmitido pelas emissoras de televisão do país.
Em Yekaterinburg, nos Urais, 20 mil pessoas tomaram as ruas na maior manifestação pública já realizada na cidade. A televisão russa também mostrou vários outros protestos massivos em Vladivostok. Na segunda-feira, milhares de pessoas participaram de uma manifestação em São Petersburgo para exigir a restauração da pena de morte contra os terroristas.
Beslan continuava a enterrar mais das 335 pessoas - a metade delas crianças - que morreram durante a operação para libertar os reféns. Os destroços da Escola de Ensino Médio Número 1, onde mais de mil reféns foram mantidos durante mais de 53 horas, virou um memorial e parada das procissões, que deixavam flores no local em seu caminho ao novo cemitério para as vítimas.

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