France Presse
De Moscou
O programa do novo presidente russo, Vladimir Putin, se sustenta em uma só fórmula: recuperar o poderio da Rússia, o que significa transformar o país em um Estado forte e respeitado no cenário internacional, mais rico e livre de corrupção.
O ministro das Relações Exteriores, Igor Ivanov, anunciou ontem que Moscou mudará sua política exterior, mas não deu detalhes a respeito do assunto.
A Rússia, que não deixa de denunciar o crescente papel de ‘‘gendarme’’ dos Estados Unidos e da Otan, na Iugoslávia e no Iraque, adotou, recentemente, uma nova doutrina militar, mais agressiva.
‘‘Putin certamente foi levado ao poder pelo clã de Yeltsin, para defender os interesses daqueles que estão no poder. Mas é jovem e se libertará, sem dúvida, de seus protetores, para iniciar sua política de recuperação do poderio russo’’, opinou um diplomata ocidental.
O programa de Putin é ambicioso, mas o jovem presidente, de 47 anos, já anunciou que quer estar rodeado por um grupo de ‘‘incorruptos’’ saído, como ele, dos serviços secretos, para lutar contra a corrupção e reforçar as estruturas do Estado.
‘‘Um Estado forte é a fonte e garantia de ordem, o principal motor de todas as mudanças. A Rússia necessita de um Estado forte. Quanto mais forte o Estado, mais livre o indivíduo’’, declarou.
Putin afirmou que restaurar o poderio do país não significa apenas desenvolver o potencial das Forças Armadas, mas também conseguir que a população russa possa viver dignamente, um objetivo nada fácil, uma vez que 50 milhões de russos vivem abaixo da linha de pobreza.
Para devolver o brilho ao Exército russo, assumir os gastos da guerra na Chechênia e pagar em dia os salários e aposentadorias, sem falar em aumentar o nível de vida da população, Putin deverá conseguir importantes recursos financeiros.
Uma parte dessa difícil missão foi desenvolvida pelo atual Ministério das Finanças, que conseguiu superar as previsões de arrecadação de impostos.
Para cortar gastos, Putin anunciou que começará reduzindo de 68 para 25 o número de ministérios, comitês de Estado e outros órgãos governamentais. A medida cairá bem, já que, segundo estatísticas oficiais, o número de funcionários duplicou desde o fim da época soviética.
Ele anunciou também um maior controle sobre as regiões e repúblicas da Federação Russa, que, no seu entender, gozam de excessiva autonomia. Partidário de um maior controle de Moscou sobre as regiões, ele justificou a guerra da Chechênia mencionando a necessidade de se preservar a integridade territorial da Rússia, ameaçada pelos independentistas.
A luta contra a corrupção é outra tarefa prioritária fixada por Putin, para sanear os negócios e assegurar os investimentos estrangeiros. Para esta árdua tarefa, o coronel do FSB (ex-KGB) conta com seus antigos companheiros.
‘‘Sim, fiz alguns deles virem para o Kremlin. Conheço-nos há anos e tenho confiança neles’’, declarou, destacando que nenhum deles poderia estar ligado à corrupção, um mal endêmico na administração russa.
Os dirigentes ocidentais insistiram em sua vontade de dialogar com Vladimir Putin, e relegaram as advertências sobre a Chechênia. A União Européia (UE) anunciou que deseja uma relação ‘‘estratégica com a Rússia democrática’’. Uma reunião de cúpula entre a UE e a Rússia acontecerá em 17 de maio, em Moscou, e será precedida, em três ou quatro de abril, por um encontro entre três países europeus e o novo presidente russo.
O trio europeu será formado por um representante da atual presidência da UE, portuguesa, outro da futura presidência, francesa (a partir de 1º de julho) e por Javier Solana, alto representante da UE para a política externa.O presidente eleito no último domingo afirmou ontem que pretende transformar o país em um Estado forte, respeitado e livre da corrupção
France PresseDETERMINAÇÃOVladimir Putin, durante pronunciamento ontem: ‘‘Um Estado forte é a fonte a garantia de ordem’’

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